A década em um instante

Boeing com 65 pessoas voa para o WTC, no qual bateria 17 minutos após 1º avião.

, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2011 | 00h00

O mundo mudou em questão de horas. A primeira reação após a catástrofe de 11 de setembro de 2001 foi questionar: por quê? O que levou 19 muçulmanos a sequestrar jatos comerciais com 40 mil litros de combustível e transformá-los em bombas contra civis? A escassez de explicações fez do cientista político Samuel Huntington o profeta do momento. Ele passou os anos 90 defendendo que o mundo pós-Guerra Fria seria marcado por conflitos entre identidades culturais, entre as quais a islâmica era a mais encrenqueira. As democracias ocidentais, pluralistas e liberais, seriam sua nêmesis. O choque de civilizações foi a primeira sequela dos atentados: um surto de islamofobia.

Tragédia consumada, o presidente George W. Bush não tinha outra opção senão um revide proporcional ao golpe. Mas dessa vez o adversário não era um Estado. Na falta de alvos convencionais, ele declarou "guerra ao terror", anunciando sanções contra países que protegessem terroristas e prenunciando as primeiras ações no Afeganistão. Bush encontrou sua doutrina e, os EUA, o unilateralismo.

Segundo estudo da Brown University, dez anos depois, o esforço consumiu US$ 5 trilhões e contribuiu para o buraco nas contas públicas do país. Pior do que o déficit econômico, porém, foi o desgaste moral. Para trancafiar terroristas capturados, os EUA criaram um centro de detenção em Guantánamo, Cuba. Até hoje, a prisão é um espinho na garganta da nação que era arauto dos direitos humanos. A vida dos americanos também nunca mais foi a mesma. A Lei Patriótica deu ao presidente o direito de prender sem acusação prévia suspeitos de terrorismo. Pouco depois, Bush mandou grampear telefonemas e e-mails de cidadãos sem permissão judicial. Viajar de avião virou uma via-crúcis. A segurança nos aeroportos foi reforçada e a inspeção de passageiros aumentou as filas, os atrasos e o desconforto. Neste caderno, o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani admite que a cidade não estava preparada para a dimensão dos ataques, o analista Matias Spektor fala da nova ordem global após 2001 e Fareed Zakaria classifica os últimos dez anos de "a década perdida dos EUA".

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