A democracia é o melhor antídoto contra o radicalismo

Cenário: Jonas Gahr Store/ IHT

É CHANCELER DA NORUEGA, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2012 | 03h01

Amanhã se completa um ano que a Noruega foi palco de um dos piores ataques extremistas que a Europa Ocidental testemunhou desde a 2.ª Guerra, quando Anders Behring Breivik assassinou 77 pessoas, deixando centenas de outras feridas. A reação do primeiro-ministro Jens Stoltenberg foi inequívoca. Ele declarou que a mais poderosa arma que a Noruega poderia empregar em resposta ao episódio era uma maior abertura e um aprofundamento da democracia.

Muitos fora da Noruega questionaram isso. Ao responder com abertura, não estamos permitindo que um extremista divulgue ideias fanáticas? Como ministro norueguês das Relações Exteriores, fui confrontado com frequência por essas perguntas no decorrer do último ano.

A última década nos mostrou que a ideologia nunca pode explicar plenamente por que grupos específicos ou indivíduos cometem atos inimagináveis. Fatores sociais, psicológicos e individuais sempre desempenham papéis cruciais. Mas o extremismo político não cresce no vácuo. As ideias são o oxigênio que permite a ele que floresça e se espalhe. As perspectivas extremistas ganham recrutas e simpatizantes porque oferecem narrativas que dizem identificar inimigos e injustiças profundas.

Sem esse combustível, a chama do extremismo logo se apaga. Redes da Al-Qaeda foram nutridas pelas ideias dos fundamentalistas islâmicos assim como Breivik evocou ideias de outros extremistas ocidentais. Derrubar as narrativas e ideias do extremismo deve ser, portanto, uma de nossas tarefas principais. Para tanto, é preciso manter a coragem de nossas convicções.

Virtualmente todas as formas de extremismo acusam os sistemas ocidentais liberais e democráticos de serem hipócritas e, no limite, fracos. A Al-Qaeda e o extremismo de direita cometeram atos horríveis que serviram como isca para que traíssemos nossos valores, fazendo deles mártires. Nesse contexto, é um erro tratar como exceções os crimes extremistas.

O debate aberto é nossa ferramenta mais poderosa para enfrentar o extremismo. O rumo mais perigoso é obrigar as ideias extremistas a cair na clandestinidade, onde podem prosperar sem concorrência.

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