A derrota da social-democracia europeia
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Helio Gurovitz
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A derrota da social-democracia europeia

Assim como na Holanda, nas eleições de março, a social-democracia - principal força europeia há décadas e representada na França pelo Partido Socialista - será a grande perdedora da eleição presidencial deste domingo

O Estado de S.Paulo

07 Maio 2017 | 05h00

Mesmo que Emmanuel Macron vença, nem Marine Le Pen nem a Frente Nacional (FN) sairão derrotadas das eleições deste domingo na França. Não apenas pelo patamar histórico de votos alcançado - a previsão é que ela obtenha pelo menos 37%, mais que o dobro do resultado do pai, Jean-Marie Le Pen, em 2002 (17,8%). 

Tampouco pela chance de ampliar, nas eleições legislativas de junho, sua base parlamentar de apenas dois para até 25 deputados, segundo a previsão do instituto OpinionWay (veja a tabela abaixo). Mas por ter conseguido, pela primeira vez numa potência europeia desde a 2ª Guerra, pôr no centro da arena política não mais o debate econômico, entre esquerda e direita - e sim o de identidade, entre nacionalistas e liberais. Opostos na visão sobre imigração, integração à União Europeia, abertura comercial e questões sociais, Macron e Le Pen representam os dois novos polos que, nos próximos anos, prometem dominar a política não apenas na França. 

A maior derrotada, como na Holanda nas eleições de março, é a social-democracia, principal força europeia há décadas, representada pelo Partido Socialista francês. O PS tende a sumir como força política, para ceder espaço ao projeto liberal de Macron. Não à toa. Na França, país conhecido pelo estatismo atávico, o governo consome incríveis 53,3% do PIB - vice-recorde em sociedades complexas, atrás apenas da Finlândia.

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Partidários do franco-bolivariano Jean-Luc Mélenchon defendem o voto “nem-nem”: nem Marine, nem Macron. Foi o bastante para o satírico Le Canard Enchaîné estampar na manchete seu voto hoje: “Nem Marine, nem Le Pen”.

- Trumpcare se tornará problema para Trump

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Como artista, a irmã era melhor. Mas tem crescido o interesse sobre a pintora Vanessa Bell (foto), afirma o crítico Paul Levy na New York Review of Books. Ela está no centro de duas novas exposições em Londres e do novo romance de Priya Parmar, Vanessa e Sua Irmã, que explora sua rivalidade fraterna com a escritora Virginia Woolf. Prato cheio para obcecados pelo grupo de Bloomsbury.

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