TYLER HICKS|NYT
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A devastação e o renascimento de Kobani

Conflito com o Estado Islâmico destruiu a cidade síria, mas moradores começam a voltar

O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2015 | 07h32

Da porta de sua casa, Faiza Mohamed se lembra de como era a vizinhança. Hoje, a escola de seus filhos tem buracos de balas nas paredes e sacos de areia nas janelas. As lojas onde ela comprava hoje são uma pilha de entulhos. Os vizinhos e parentes que viviam perto foram embora.

“Com a exceção de um casal de idosos na casa ao lado, todos se foram”, diz Faiza. A casa dela e dos vizinhos foram as duas únicas que restaram na rua. “Temos pessoas ao lado, então estamos bem”, afirma Faiza, que ficou viúva antes do começo da guerra civil na Síria. “Mas, à noite, trancamos a porta e não abrimos para ninguém, porque há medo no mundo.”

Soldados curdos empreenderam uma feroz batalha para impedir que o Estado Islâmico tomasse Kobani, na fronteira da Síria com a Turquia. No momento em que os curdos prevaleceram, em janeiro, parecia que a cidade havia sido atingida por um terremoto.

Os desafios que ela enfrenta hoje são enormes. Tratores recolhem o que sobrou dos prédios. Ao mesmo tempo, lojas reabrem e vendem telefones celulares, cigarros, frango grelhado e centenas de moradores voltam aos poucos. Muitos cobriram as janelas quebradas com plásticos e taparam os buracos nas paredes para evitar a entrada do vento até que os reparos sejam feitos.

“A cidade se tornou relativamente adequada para se viver de novo”, diz Idris Nassan, membro da nova administração autônoma. Quando a guerra terminou, a cidade havia cortado ligações com Damasco, então, líderes locais supervisionaram a reconstrução. As primeiras tarefas foram restabelecer o fornecimento de água e redes de esgoto, lidar com o problema dos explosivos não detonados e enterrar os que foram encontrados em meio aos escombros.

Toda manhã, Muslim Mohamed, de 56 anos, volta a sua casa destruída, se senta na área externa, bebe chá e pensa. Ele e a mulher foram para a Turquia no início do conflito, mas três de seus filhos se uniram à milícia curda local.

Ali, de 17 anos, morreu na batalha, e Mohamed, de 29 anos, foi morto durante incursão do EI, em junho. Então, ele enviou Ahmed, de 15 anos, em uma balsa para a Europa, esperando que a distância o mantenha vivo. / NYT

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