A difícil tarefa de traduzir o horror

Caderno de 36 páginas mobilizou jornalistas em todo mundo

Lizbeth Batista, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2011 | 00h00

Como condensar em algumas páginas o horror vivido e testemunhado em todo o mundo pelas ininterruptas horas de transmissão ao vivo pela TV e expressar a gama de sentimentos produzidos pelos ataques terroristas daquela terça-feira? Essa era a delicada tarefa dos jornalistas que produziram a edição do dia 12 de setembro de 2001. Criar uma edição que contemplasse a aterradora cadeia de eventos que se abateu sobre os EUA no dia em que, em menos de três horas, "dois dos maiores símbolos de seu poder econômico e militar foram parcialmente ou totalmente destruídos por um ataque terrorista sem precedentes."

Na capa, as imagens confirmavam a tragédia do dia anterior, o que não parecia real, porque até então era inconcebível. Via-se a Ilha de Manhattan coberta por uma densa nuvem de poeira, a primeira torre do World Trade Center em chamas enquanto o 2.º avião seguia sem hesitação na sua trajetória, atingindo a segunda torre. A manchete dizia: "Terrorismo declara guerra aos EUA".

O ataque a Pearl Harbor, durante a 2.ª Guerra, foi evocado na tentativa de buscar no passado algum paralelo que pudesse alcançar a dimensão daqueles eventos. A primeira página já falava de pistas que apontavam Osama bin Laden como responsável e afirmava que o sistema de defesa americano falhou.

O título que abriu o caderno especial "EUA sob Ataque" revelava o sentimento atônito da nação diante da agressão: "Um país em estado de choque", lia-se. Nas suas 36 páginas, fotos retratavam um cenário de destruição e desespero. Correspondentes narraram os momentos de terror e desolação vividos pela população americana, cobriram a mobilização das forças militares e o aguardado pronunciamento do presidente George W. Bush, que prometeu caçar os responsáveis. No Brasil, repórteres contaram histórias de brasileiros que buscavam notícias sobre parentes e amigos nos EUA, informaram as providências tomadas pelo Itamaraty e as medidas de segurança acionadas na cidade de São Paulo. Infográficos retratavam os ataques, traziam estimativas do número de vítimas, informações sobre os aviões sequestradas e sobre os alvos. Quadros apontavam questões ainda sem respostas, indicavam a sequência dos eventos e citavam os possíveis suspeitos, com Bin Laden no topo da lista que incluía, entre outros, o líder iraquiano Saddam Hussein.

O editorial expressava o espírito do dia após a tragédia, buscava alguma compreensão sobre o ocorrido e concluía que, mais que um ato de guerra contra os EUA, os ataques atingiram "todo um sistema de valores que a Humanidade conseguiu edificar no Ocidente, e que tem de ser preservado, a todo o custo, para as futuras gerações".

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