Cláudia Trevisan / Estadão
Cláudia Trevisan / Estadão

A disposição que preocupa os democratas

Comparecimento dos eleitores republicanos está aumentando, enquanto o dos democratas, caindo

Philip Bump* - The Washington Post , O Estado de S. Paulo

04 de março de 2016 | 07h00

Este ano, já no início de fevereiro, observamos uma diferença no comparecimento dos eleitores do lado democrata e do republicano. Em Iowa e New Hampshire, o número de votantes do Partido Republicano foi maior – e esse padrão se manteve na Carolina do Sul também (embora não no Estado de Nevada, onde o comparecimento foi menor).

Evidentemente, na Carolina do Sul há um número maior de eleitores republicanos, também, mas isso na realidade é irrelevante. O fato é que isso se tornou um refrão comum entre os republicanos, que sugerem que essa diferença indica uma divergência mais profunda no entusiasmo e na disposição dos partidos. Isso é mais visível na mudança do comparecimento de cada um deles desde sua última indicação disputada – os republicanos, em 2012, e os democratas, em 2008.

O comparecimento dos republicanos está aumentando, enquanto o dos democratas está caindo. Por outro lado, estamos comparando a eleição histórica de 2008, para os democratas, com a eleição excepcional de 2016, para os republicanos. Esse também talvez seja um caso excepcional.

Mas mesmo essa constatação pode parecer irrelevante. A questão é simples. Desde 1972, o primeiro processo de indicação depois que os democratas reformularam seu mecanismo, houve apenas quatro anos em que ambos os partidos tiveram uma indicação disputada: 1988, 2000, 2008 e 2016.

Em outras palavras, temos uma amostra muito pequena. Afinal, não podemos comparar o comparecimento em um ano como 2012 com o comparecimento deste ano, porque, há quatro anos, os democratas tinham um incentivo muito pequeno para ir às urnas. 

Este ano, a amostra ainda é pequena – primárias durante as quais o campo democrata se reduziu a dois concorrentes, enquanto o republicano ainda se manteve entre quatro e seis. Se analisarmos as primárias iniciais fortemente disputadas em cada um dos anos anteriores, perceberemos um padrão: o partido que não tem um favorito óbvio tem um comparecimento maior nestas disputas e em geral.

Em 1988, George H. W. Bush era o indicado óbvio dos republicanos, portanto, as prévias democratas, fortemente disputadas, tiveram comparecimento maior. Em 2000, os democratas também tinham um vice-presidente como candidato claro e os republicanos tiveram um comparecimento maior. Em 2008, o comparecimento entre os democratas foi muito maior em geral, porque seu processo de indicação teve uma duração maior – uma vez que a disputa se acirrou em razão da combatividade da candidata Hillary, e a corrida se arrastou até junho.

Então, o que aconteceu naquelas eleições? Basta ver qual foi o partido que recebeu mais votos entre os dois – nas duas primárias iniciais e ao longo de toda a disputa – e comparar o número ao resultado final. Em 1988, os democratas tiveram um comparecimento maior e perderam. Em 2000, o comparecimento dos republicanos foi maior – e eles perderam o voto popular, mas não a presidência na eleição geral. Em 2008, os democratas conquistaram ambos.

Em outras palavras, a situação é confusa. Três disputas com toda uma série de diferentes fatores. Em 2016, os democratas têm um candidato favorito óbvio – Hillary – e um adversário aparentemente sem condições de repetir a reviravolta produzida por Barack Obama. Os republicanos, por outro lado, têm uma das corridas mais disputadas dos últimos anos. Talvez devamos prever que uma disputa com um candidato favorito como Hillary – por mais difíceis que tenham sido os últimos meses para ela – resultará num comparecimento menor que o dos republicanos. Se isso significará sua vitória ou sua derrota, é uma questão totalmente diferente. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

*É ANALISTA POLÍTICO

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