A dura tarefa de fazer oposição ao democrata

O papel de fazer oposição a Barack Obama não é fácil. Quase dois meses depois da eleição, os republicanos enfrentam dificuldades para descobrir como contestá-lo ou criticá-lo - e até mesmo para decidir se devem fazê-lo ou não.Obama tem-se mostrando um alvo frustrante. Ele não se deixou enquadrar pela ideologia. Suas escolhas para a composição do gabinete receberam elogios de todo o espectro político. A tentativa do Comitê Nacional Republicano de vincular Obama ao escândalo envolvendo a suposta disposição do governador de Illinois, o democrata Rod. R. Blagojevich, de negociar a vaga deixada por Obama no Senado foi desconsiderada por ninguém menos do que John McCain, o candidato republicano derrotado na eleição.Há muitas batalhas por vir que podem oferecer aos republicanos a oportunidade de recuperar o equilíbrio. Sem dúvida eles encontrarão argumentos para usar contra Obama quando, por exemplo, ele começar a expor os detalhes dos seus planos de estímulo econômico.Essa demonstração de incerteza republicana é um testemunho da habilidade política do próximo presidente, e um lembrete do quão difícil é a situação enfrentada pelo partido. É também uma amostra da situação em que se encontra o país: energizado pela perspectiva do início do mandato de um presidente que tem grande apoio popular e, ao mesmo tempo, demonstra preocupação com o futuro do país. "Não há sentido em ir contra Obama no momento. O país enfrenta sérios problemas e um novo presidente está prestes a assumir. Seria irracional desejar seu fracasso", disse o ex-presidente da Câmara, o republicano Newt Gingrich.Enquanto candidato e presidente eleito, Obama mostrou-se hábil em escapar das definições ideológicas; isso ficou ainda mais claro quando ele começou a montar seu gabinete, mantendo abertas as suas opções relativas a temas como a revogação dos cortes de impostos que beneficiaram os mais ricos. A campanha presidencial o ensinou a evitar os erros políticos e a corrigi-los rapidamente, quando ocorrerem.A natureza histórica da sua presidência - o fato de ele ser o primeiro afro-americano eleito presidente, o que gerou imenso interesse no país e no mundo - complicou ainda mais as coisas para uma oposição em busca de um ângulo de ataque.O Comitê Nacional Republicano parece enfrentar problemas especialmente na busca pelo tom mais correto para fazer suas críticas. O seu presidente, Mike Duncan, disse que o partido deveria desempenhar o papel de "oposição leal: fazer perguntas, concordar naquilo que for possível, mas questionar sempre". Ele admitiu que a tarefa não é fácil, mas sugeriu que a dificuldade diminuirá depois que Obama assumir o cargo e enfrentar os problemas concretos e a necessidade de cumprir as promessas de campanha.Após as derrotas sofridas pelo partido em novembro, os republicanos enfrentam dificuldade para chegar a qualquer tipo de consenso para além da mais vaga das generalidades. E não parece que a situação vá se alterar num futuro próximo, enquanto o partido tenta descobrir como exatamente lidar com este novo presidente. *Adam Nagourney é analista do ?New York Times?

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