A escolha de Scarlett

Scarlett Johansson decidiu que prefere ser a representante de uma máquina para fazer refrigerantes em casa a representar um movimento que defende o desenvolvimento internacional. Depois de atuar durante anos como embaixadora global da Oxfam, ela decidiu deixar a organização que contribui para o desenvolvimento e a ajuda para as vítimas de desastres alegando "uma divergência fundamental de opiniões", enquanto o grupo apoia o boicote a produtos fabricados em áreas ocupadas pelos israelenses na Cisjordânia.

O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2014 | 02h02

A controvérsia começou quando a atriz assinou um contrato com a SodaStream, companhia israelense que fabrica máquinas caseiras para fazer refrigerantes. O jornal New York Times definiu o acordo com a SodaStream como uma forma de associação com uma marca "como, por exemplo, a de Jennifer Aniston para a SmartWater ou a de George Clooney para a máquina de café Nespresso". Daniel Birnbaum, CEO da SodaStream, explicou que Scarlett - e o comercial por ela estrelado que será exibido durante o Super Bowl - pretende "demonstrar como é fácil, como é sexy, fazer o próprio refrigerante em casa".

Deixando de lado o apelo sexual do refrigerante, a parceria não está sendo bem vista pela Oxfam. A organização disse que a atriz errou ao apoiar a SodaStream, porque a empresa opera uma fábrica na Cisjordânia, ao lado de um dos maiores assentamentos israelenses. "A Oxfam respeita a independência dos nossos embaixadores", declarou num comunicado. "Entretanto, acredita que as empresas que operam em assentamentos contribuem para o aumento da pobreza e o menosprezo pelos direitos das comunidades palestinas pelas quais ela atua. A Oxfam opõe-se a todo tipo de intercâmbio que envolva assentamentos israelenses por serem ilegais de acordo com o direito internacional."

Scarlett Johansson respondeu pessoalmente com um comunicado: "Continuo defendendo a cooperação econômica e a interação social entre Israel, um país democrático, e a Palestina. A SodaStream é uma empresa que está empenhada não apenas na defesa do ambiente, como também na construção de uma ponte para a paz entre Israel e a Palestina e no apoio a populações vizinhas que trabalham lado a lado, recebendo salários iguais, benefícios iguais e direitos iguais". A atriz, que não revelou o montante do cachê que recebe, disse que considera o emprego de israelenses e palestinos na fábrica da SodaStream um passo promissor.

Na segunda-feira, a Oxfam declarou estar "considerando as implicações de sua nova declaração e do que ela significa para o papel da senhorita Johansson como embaixadora global da Oxfam". O período de avaliação terminou na quinta-feira, quando Scarlett anunciou que decidira não mais representar a Oxfam. Um comunicado da organização disse que aceitava a decisão da atriz de renunciar ao seu papel e agradecia "por suas inúmeras contribuições".

Incidente análogo ocorreu em 2009, quando a embaixadora da Oxfam, Kristin Davis, representou por um breve período com outra companhia israelense que operava na Cisjordânia, a fabricante de cosméticos Ahava. Kristin deixou de representar a Ahava e continuou sua função de embaixadora da Oxfam.

Ao mesmo tempo, o anúncio da SodaStream que estreará no Super Bowl no domingo continua recebendo enorme publicidade, antes mesmo de ser apresentado. A Fox - que televisionará o jogo, está exibindo os comerciais e colhendo abundantes frutos com a venda de spots de 30 segundos por US$ 3,5 milhões - anunciou na segunda-feira que rejeitava a apresentação inicial da SodaStream por atacar diretamente concorrentes como a Coca-Cola e a Pepsi. A SodaStream deverá excluir a frase: "Desculpem, Coca e Pepsi" para o jogo de domingo. A primeira versão da SodaStream para o comercial foi rejeitada no ano passado pela mesma razão.

Em todo caso, o slogan da SodaStream que afirma: "Refrigerantes mais gostosos, feitos por você e Scarlett", continuará. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

É COLUNISTA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.