A Espanha ensaia para as bodas reais

Turistas olham estupefatos, VIPs chegam de todas as partes e a cidade praticamente pára para o ensaio geral para a cerimônia, enquanto a Espanha se prepara para o casamento do príncipe herdeiro Felipe e da ex-âncora de TV Letizia Ortiz. A rainha Sofia chegou cedo à Catedral da Almudeña, acompanhada de suas filhas, as princesas Elena e Cristina, e cinco netos ? de idades que vão de dois a cinco anos ? que servirão como pagens e damas de honra. Mas tarde, a noiva e o noivo juntaram-se a ela, para ensaiar os passos para a cerimônia de sábado. Os primeiros convidados já estão chegando, entre eles o presidente do Equador, as primeiras damas da Nicarágua e Costa Rica, e Cesar Gavíria, da Organização dos Estados Americanos, que lembrou as muitas viagens do príncipe Felipe à América Latina, representando a coroa real. ?Ele fez muitas visitas e é, talvez, a figura mais querida através dessas fronteiras?, disse. Prevê-se que 30 chefes de estado ou governo, além de membros das casas reais de países tão distantes quanto o Japão, aterrissarão em Madri amanhã. Perto da catedral, bandeiras no amarelo e vermelho da Espanha pendem de sacadas que dão para a praça, onde bandos de turistas fazem fotos de um pedaço da história espanhola : o local do primeiro casamento real, em Madri, em cerca de 100 anos e do primeiro casamento ? pelos menos em cinco séculos ? de um príncipe com uma plebéia, que entra na linha de sucessão para tornar-se rainha. Mesmo algumas revisões de chuva, no sábado, parecem não deprimir o espírito geral. Medidas draconianas de segurança envolvem cerca de 20.000 policiais, caças F-18 e aviões AWACS de vigilância. Foram fechadas as ruas perto da catedral, localizada em uma imensa praça em frente ao Palácio Real, onde será realizado o banquete de casamento. O príncipe, de 36 anos, e Letizia, 31, conhceram-se num jantar, no final de 2002, e continuaram a encontrar-se ? secretamente ? na primavera seguinte. Eles anunciaram o noivado em novembro do ano passado. Pesquisas de opinião pública demonstraram que os espanhóis não se importam pelo fato de ela ser divorciada e muito menos que uma plebéia, um dia, será sua rainha. A cobertura da mídia atingiu uma excitação total, com os canais de televisão exibindo todo o tipo de vídeo disponível sobre o casal ? de Felipe caracterizado de velho, numa peça teatral dos tempos do colegial, a Letizia como repórter, cobrindo o derramamento de petróleo no nordeste da Espanha e entrevistando iraquianos depois da invasão americana. A televisão estatal espanhola promete seis horas de cobertura ininterrupta, desde a cerimônia até o banquete, e diz que terá uma audiência potencial de 1,2 bilhões de espectadores em todo o mundo. O jornal El País noticia que os paparazzi foram até no encalço de uma das irmãs de Letizia, no paupérrimo Cabo Verde, oeste da África, onde ela trabalha num programa de construção de escolas e combate a Aids, para conseguir uma entrevista.

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