Andrew Caballeros-Reynolds/AFP
Andrew Caballeros-Reynolds/AFP

À espera de visita de Biden, Tulsa lembra centenário de massacre de negros em 1921

Há cem anos, uma multidão de brancos avançou sobre o próspero bairro negro, queimando, matando, saqueando e destruindo o local

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2021 | 22h57

TULSA, EUA - Centenas de pessoas se reuniram nesta segunda-feira, 31, para um culto religioso do lado de fora da histórica Igreja Episcopal Metodista Africana Vernon, no Distrito de Greenwood, em Tulsa, no primeiro dia do centenário de um dos piores e mais mortais massacres racistas dos Estados Unidos. O presidente americano, Joe Biden, deve visitar a cidade, que fica no Estado de Oklahoma, nesta terça-feira, 1º. 

Líderes nacionais dos direitos civis, incluindo os reverendos Jesse Jackson e William Barber, juntaram-se a vários líderes religiosos locais oferecendo orações. No ataque em 1921, a igreja estava em construção e teve grande parte destruída quando uma multidão de brancos avançou sobre o próspero bairro negro, queimando, matando, saqueando e destruindo a área. As estimativas sobre o número de mortos variam de dezenas a 300.

Barber, um ativista dos direitos civis e econômicos, disse que se sentia grato por estar no que chamou de solo sagrado. "Você pode matar as pessoas, mas não pode matar a voz do sangue." 

No massacre, os paroquianos continuaram a se reunir no porão, que foi reconstruído vários anos depois, tornando-se um símbolo da resiliência da comunidade negra de Tulsa. O edifício foi adicionado ao Registro Nacional de Locais Históricos em 2018. 

Quando a cerimônia chegou ao fim, os participantes colocaram as mãos no muro de oração ao longo da lateral da igreja enquanto a solista Santita Jackson cantava Lift Every Voice and Sing. Na noite desta segunda-feira, a Comissão do Centenário também realiza uma vigília à luz de velas no centro da cidade para homenagear as vítimas do massacre. 

O Distrito de Greenwood foi reconstruído após o massacre, mas se deteriorou lentamente 50 anos depois, com suas casas sendo tomadas como parte da renovação urbana na década de 70. 

Entre os que falaram na cerimônia desta noite ao ar livre estavam as deputadas democratas Barbara Lee e Lisa Brunt Rochester e o senador americano Chris Coons.

Rochester conectou os esforços de reparação em Tulsa com um esforço mais amplo: a legislação pendente da Câmara que criaria uma comissão para estudar e propor reparações para os afro-americanos. "Estamos aqui para lembrar, para lamentar, para reconstruir equitativamente", disse Rochester. 

Ao longo de uma tarde chuvosa, os visitantes usando capas caminharam pela Avenida Greenwood, fotografando locais e marcos históricos. Muitos pararam para ler placas na calçada, citando vários prédios e negócios de propriedade de negros que foram destruídos durante o massacre de 1921 e indicando se eles já haviam sido reconstruídos. 

A lista de atividades desta segunda-feira inclui a apresentação do cantor e compositor ganhador do Grammy John Legend e um discurso da ativista de direitos de voto Stacey Abrams. Essa parte da celebração estava prevista para a semana passada, mas foi cancelada depois que não foi possível chegar a um acordo de ressarcimento a três sobreviventes do ataque mortal, uma situação que provocou debates mais amplos sobre reparações por injustiça racial. 

Na terça-feira, a cidade retomará a escavação de uma vala comum no cemitério de Oaklawn que pode estar conectada ao massacre. Ninguém jamais foi punido pelo ataque e as vítimas nunca foram indenizadas pelas vidas e bens perdidos./AP e W.POST

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