A esperada renúncia de Taylor leva líderes africanos à Libéria

Em meio a ameaças dos rebeldes de retomar os combates caso o presidente Charles Taylor não cumpra hoje sua promessa de renunciar ao cargo, vários destacados líderes africanos dirigiram-se nesta segunda-feira à Libéria para assistir pessoalmente à esperada renúncia do governante do país castigado pela guerra.Vestindo um terno escuro, Taylor dirigiu-se sob uma chuva torrencial para receber os presidentes Thabo Mbeki, da África do Sul, Joaquim Chissano, de Moçcambieque, John Kufuor, de Gana, e o primeiro-ministro de Togo, Koffi Sama, no aeroporto internacional de Monróvia - que agora serve de base para a força de paz oeste-africana destacada para o país. No centro da capital liberiana, tropas nigerianas e sul-africanas com armas automáticas em carros blindados guardavam a sede do governo, onde Taylor, em obediência à sua promessa, deverá passar o poder para o vice-presidente Moses Blah um minuto após o meio-dia. Do lado de fora do palácio, a população saudava as tropas nigerianas - parte do contingente de 3.250 soldados africanos da força de paz -, mas reservava a mamio celebração para o momento em que for confirmada a renúncia do presidente, acusado por crimes de guerra por um tribunal da ONU. A maioria das tropas indisciplinadas a serviço do presidente que habitualmente cercavam o palácio pareciam ter abandonado seus postos com suas armas. Os rebeldes que há quase três anos lutam para derrubar Taylor rejeitaram o sucessor por ele escolhido - um velho aliado e ex-companheiro de armas do mandatário - e exigiram a escolha de um um candidato neutro para presidir o governo de transição.Nesta segunda-feira, rebeldes armados em suas picapes voltaram a cercar a cidade e ameaçaram voltar à luta caso Taylor não abandone o país assim que entregar o cargo.

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