A esperança da oposição em Israel

Novo líder do Partido Trabalhista, Avi Gabbay, tem posições e oratória que lembram Barack Obama e Emmanuel Macron; partido ganha popularidade e tentará romper hegemonia de Bibi Netanyahu

O Estado de S.Paulo

23 Julho 2017 | 05h00

Novo líder dos trabalhistas israelenses, Avi Gabbay, é visto como esperança de ruptura na hegemonia de Bibi Netanyahu, premiê mais longevo na história do país. “É a primeira chance em duas gerações de refazer o mapa político de Israel”, diz o escritor Bernard Avishai. Aos 50 anos, Gabbay tem um perfil anfíbio, que o aproxima de grupos antagônicos. Cresceu num campo de imigrantes marroquinos pobres no subúrbio de Talpiot, em Jerusalém, como aluno mais brilhante entre oito irmãos.

Selecionado pela meritocracia educacional israelense, estudou em colégios da elite e fez carreira na Bezeq, tele privatizada em 2005. Em 2007, chegou a CEO, reestruturou a empresa e valorizou as ações. Saiu em 2013 para, no ano seguinte, fundar o Kulanu, partido voltado a eleitores de classe baixa. Foi ministro de Bibi, mas deixou o governo, tantas eram as denúncias de corrupção contra o premiê. Gabbay fala um idioma que agrada, ao mesmo tempo, empresários e judeus pobres, originários de países árabes como ele, conhecidos como “mizrahim”.

O Likud domina há décadas esse eleitorado, desconfiado do esnobismo dos trabalhistas e da elite europeia que fundou Israel. Gabbay, diz Avishai, pode roubar votos até mesmo do Shas, partido religioso de raízes norte-africanas. Seu perfil antielitista o aproxima de populistas como Donald Trump. Suas posições e sua oratória lembram Barack Obama e Emmanuel Macron. A popularidade dos trabalhistas já subiu.

- O ‘momento Ricupero’ de Bibi Netanyahu

Em visita a Budapeste, Bibi foi flagrado num momento de sinceridade. Pensando que o microfone estivesse desligado, reconheceu a quatro primeiros-ministros europeus já ter feito “dúzias” de ataques contra envios de armas da Síria ao Hezbollah, no Líbano: “Quando os virmos transferindo armas ao Hezbollah, atacaremos para machucar”. O áudio foi transmitido a jornalistas.

- Vem aí o “Bavarexit”?

Uma pesquisa do YouGov revelou que um em cada três bávaros quer a separação da República Federal da Alemanha. Além da Baviera, a secessão é também popular na Turíngia (22%), no Sarre (22%) e na Saxônia (21%).

- A revolta das mulheres na BBC

Provocou revolta entre funcionárias a divulgação dos maiores salários da BBC. Entre os dez mais bem remunerados, há apenas uma mulher, a apresentadora Claudia Wilkleman (£ 500 mil anuais). Os primeiros da lista são Chris Evans (£ 2,25 milhões) e Gary Lineker (£ 1,8 milhão). Dois terços dos 96 mais bem pagos são homens.

- Um DJ no comando do Goldman Sachs?

David Solomon sucedeu Gary Cohn, o assessor econômico de Trump, como um dos dois co-presidentes do Goldman Sachs. Candidato a CEO, anima festas nas Bahamas, Miami e Nova York, sob a alcunha DJ D-Sol.

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Recém-lançado no Reino Unido, Twilight of the money gods (“Crepúsculo dos deuses do dinheiro”), de John Rapley, promete causar furor entre economistas. Ele afirma que a economia se tornou uma religião com seus dogmas, sacerdotes, hierarquia e ortodoxia.

- A simbiose entre Trump e Bannon

Dois anos atrás, o jornalista Joshua Green publicou na Bloomberg BusinessWeek um perfil presciente de Steve Bannon, antes que ele se tornasse estrategista de Trump. Em Devil’s bargain (“Negócio do diabo”), Green sustenta que a simbiose entre Bannon e Trump é a força motriz do maior fenômeno político contemporâneo.

- O pique desengonçado de Usain Bolt

Um estudo da Universidade Metodista do Sul, em Dallas, explica por que Usain Bolt corre tão desengonçado. Em virtude de uma escoliose, ele tem a perna direita pouco mais de um centímetro mais curta. Para compensar, dá passadas mais fortes com ela e a deixa menos tempo no chão. Será a assimetria o segredo da velocidade?

- O andar desengonçado do dinossauro T-Rex

Bolt atinge nas pistas o dobro dos 19 km/h a que um tiranossauro chegava no cretáceo. Um estudo na revista científica PeerJ demonstra que o terror dos dinossauros nem conseguia correr. Deslocava-se a passos rápidos, num andar que também tinha muito de desengonçado, mas ainda mais de amedrontador.

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