A estratégia da pressão pragmática e da paciência

Cenário

David E. Sanger, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2010 | 00h00

Na Casa Branca ninguém acredita que as novas sanções impostas contra empresas, linhas de navegação e instituições financeiras obrigarão o Irã a parar seu programa com o qual, há 20 anos, tenta chegar à capacitação nuclear. Portanto, o que Barack Obama planeja fazer se, como todos preveem, essas sanções fracassarem, como ocorreu com as três rodadas anteriores? Existe um "plano B" ? na realidade, um "plano B, C e D" ?, partes do qual já começaram a ser implementadas. O governo não fala muito a respeito, mas elas incluem a contenção militar no velho estilo e uma operação conhecida na CIA como Projeto Braindrain, que visa atrair os talentos nucleares do país. Na opinião geral, Obama incrementou um programa secreto da era Bush para minar a infraestrutura do arsenal nuclear do Irã.

Mas se perguntarmos aos planejadores desses programas o que conseguirão, a resposta será inevitavelmente "não o bastante". Segundo os funcionários do governo, essas medidas, em seu conjunto, poderão frear o avanço da produção de uma arma nuclear, que já sofreu atrasos técnicos maiores do que se possa imaginar. Se a pressão aumentar, o Irã poderá ser obrigado a negociar, o que tem evitado desde que Obama chegou à presidência. "Sabemos que o governo do Irã não mudará seu comportamento da noite para o dia", disse Obama na quarta-feira, ressaltando que as sanções criariam "custos crescentes". Essa avaliação parece uma combinação agora familiar do pragmatismo e da paciência que Obama tentou tornar a marca da sua estratégia em política externa. Mas, no caso do Irã, ele corre contra o relógio. Como observou em abril, se o Irã passar de determinado ponto, pode ser impossível saber quando deu os últimos passos para fabricar armas.

É ANALISTA DO JORNAL "THE NEW YORK TIMES"

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