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A estratégia de Xi para consolidar o poder

Pelo critério de idade, que aposenta quem completa 68 anos, cinco dos sete integrantes deveriam ceder lugar à nova geração

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2017 | 05h00

O 19.º Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC) parece uma viagem no tempo. Os rostos são outros, mas a decoração, os rituais, até os nomes são os mesmos da era soviética: Politburo, Comitê Central, secretário-geral. Há ainda o indefectível minueto de bastidores – e especulações dignas dos kremlinólogos. 

A maior expectativa cerca o anúncio, na próxima quarta-feira, do Comitê Permanente, organismo que governa o país. Pelo critério de idade, que aposenta quem completa 68 anos, cinco dos sete integrantes deveriam ceder lugar à nova geração. Restariam apenas o presidente Xi Jinping, 64 anos, e o premiê Li Keqiang, 62. Não está em questão que Xi será reeleito.

Nem que aproveitará a oportunidade para pôr aliados no comitê. Nem é segredo que, ao contrário dos dois antecessores, quer um terceiro mandato em 2022. A dúvida é como conseguirá tudo isso. Uma possibilidade é manter no comitê seu braço direito, Wang Qishan, de 69 anos, responsável pela devassa anticorrupção (também usada para sufocar adversários). Xi anularia, assim, a regra de aposentadoria e abriria um precedente em causa própria para 2022.

Mas é possível que Wang saia do comitê para assumir um novo papel na política externa. Ele manteve encontros recentes com o premiê de Cingapura e, em segredo, com Steve Bannon, ex-estrategista-chefe de Donald Trump. Outra dúvida é se Xi trará para o comitê alguém nascido nos anos 1960, como forma de preparar sua sucessão. “Um cenário mais provável é que esteja preocupado em manter a continuidade e a estabilidade política”, diz o analista Wang Xiangwei no South China Morning Post.

Xi quer atingir o nível de Mao

Xi é objeto do maior culto à personalidade desde Mao Tsé-tung. Mas sua influência real será medida pelas mudanças na Constituição do PCC. Só Mao pôs o próprio nome no documento enquanto estava no poder. Deng Xiaoping passou a ser citado depois de morto. Os dois antecessores de Xi incluíram ideias sem ser citados. “O advento do ‘xijinpinguismo’ catapultaria o status ideológico de Xi, acima de Deng, rivalizando com Mao”, diz a sinóloga Alice Miller. “Se um novo elemento for acrescido sem o nome de Xi, seria um sinal mais fraco de poder.”  

 

Macron se defende diante do microfone

Diante da queda na popularidade, o presidente francês, Emmanuel Macron, desencadeou uma ofensiva de comunicação. Em entrevista à rede de TV TF1, ele adotou uma posição defensiva em relação às reformas econômicas. Macron disse que os índices de desemprego cairão em até dois anos. À revista alemã Der Spiegel, tentou minimizar suas diferenças com a premiê Angela Merkel.

O Estado Islâmico em silêncio

Um dos sinais da derrocada do Estado Islâmico (EI) é o silêncio nas mensagens oficiais. Entre junho e agosto de 2015, o EI transmitiu 7.067 imagens sobre ações na Síria e no Iraque, segundo o Washington Institute. Entre julho e setembro deste ano, 255. Depois, sumiram. Não é, infelizmente, o fim da barbárie. “O aparato burocrático está dormente, mas os recursos para insurgência são enormes”, diz o analista Aaron Zeilin.

O ocaso de Google e Facebook?

Google e Facebook sabem que não adianta resistir à iniciativa capitaneada por senadores americanos – entre eles o republicano John McCain – para regular a propaganda política no meio digital. Depois do imbróglio russo na eleição do ano passado, é provável que cedam a algum tipo de registro público para tentar minimizar o prejuízo à audiência. Qualquer que seja o resultado, Washington acordou e intervirá. “Não me surpreenderia um ocaso na era de ouro do Vale do Silício”, diz o capitalista de risco Bill Maris, ex-CEO da Google Ventures.

Frase 

“Numa faculdade canadense, ter um pôster de Ronald Reagan no quarto era um profilático – garantia que você não teria nenhum tipo de relação com uma mulher. Então, abandonei rapidamente minhas preferências políticas e busquei formas mais convencionais de rebelião”

Malcolm Gladwell, jornalista e escritor, em entrevista a Michael Lewis na Paris Review, ao ser questionado sobre seu flerte com o conservadorismo na juventude 

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