A Europa e o futuro do euro na visão de Beppe Grillo

Cenário: Gilles Lapouge

É CORRESPONDENTE EM PARIS, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2013 | 02h04

Como está a Europa após as eleições italianas, que determinaram a queda do ex-premiê Mario Monti, homem da austeridade, tecnocrata frio e defensor do euro? Bem, a Europa agora está nas mãos de um homem chamado Beppe Grillo, que deixou a Itália ingovernável.

Uma grande ironia: essa ambiciosa construção político-econômica que se chama União Europeia, com mais de meio século de vida, composta por 27 Estados, está na dependência de um antigo malabarista de cenas grotescas, um velho palhaço da TV. Grillo que tem nas mãos a UE como um ovo, com o qual nos divertimos em apertá-lo e quebrá-lo, deixando a clara e a gema escorrerem pela roupa.

A Europa não se enganou no caso desse escrutínio. Ele expressa a deriva inexorável da Itália, que é, no entanto, apenas a precursora do turbilhão que ameaça todos os países europeus. Na segunda-feira, o que foi afetada foi a confiança dos italianos na política. Eles gritaram seu dissabor, agravado pelo empobrecimento e pela deterioração do Estado. A Itália está farta desse "jogo de mentiras".

Em Berlim, a mensagem foi entendida. As pessoas se inquietaram. Se acrescentarmos o fato de um grande país mais ao norte, a Grã-Bretanha, de David Cameron - que faz parte da UE mas não está integrada à zona do euro -, não esconde mais sua fadiga diante desta Europa que, há 50 anos, passa seus dias desconstruindo o que construiu um dia antes. É preciso convir que o Velho Continente hoje faz uma aposta alta: a sobrevivência do euro ou a sua implosão. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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