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A extrema direita cresce na Alemanha

Partido Alternativa para a Alemanha (AfD) adotou o discurso populista contra imigrantes e muçulmanos

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2017 | 05h00

A provável vitória da chanceler Angela Merkel não é a notícia mais importante das eleições deste domuingo, 24, na Alemanha. Pela primeira vez desde a 2.ª Guerra, um partido de extrema direita terá presença no Parlamento. Com 11% nas pesquisas (acima dos 5% exigidos para representação), o Alternativa para a Alemanha (AfD) deverá fazer entre 69 e 85 deputados no Bundestag.

Fundado há quatro anos por economistas revoltados com o euro e com a ajuda à Grécia, o AfD adotou o discurso populista contra imigrantes e muçulmanos. Em 2015, protestando contra o abrigo aos refugiados, elegeu representantes em 13 das 16 assembleias regionais, sobretudo na antiga Alemanha Oriental. É um erro compará-lo aos nazistas. Mas é um erro maior desprezá-lo. Um líder do AfD já afirmou que ninguém “gostaria de ter como vizinho alguém como” os futebolistas Jérôme ou Kevin-Prince Boateng, alemães filhos de um ganês. Outra recomendou receber a bala, se necessário, os refugiados que cruzam a fronteira ilegalmente. Um terceiro classificou o memorial ao Holocausto de Berlim como um “monumento à vergonha”.

O efeito da chegada do AfD ao Bundestag será dramático. A margem de manobra de Merkel ficará reduzida, não apenas na política migratória, mas em tudo o que diz respeito à UE, como reforma financeira ou programas de resgate. 

“Jamaica” contra os nacionalistas

O partido de Merkel (CDU) terá duas opções de coalizão. Na preferida, alia-se aos liberais (FDP) e aos verdes – como a CDU é representada pelo preto e o FDP, pelo amarelo, a aliança foi apelidada de “Jamaica”. Na segunda opção, alia-se aos social-democratas (SPD). Nesse caso, o AfD se tornaria o maior partido de oposição. Na agenda anti-europeia, contaria com apoio do FDP e da extrema esquerda (Linke). Com cerca de 30% do Parlamento alemão, os três partidos juntos teriam força suficiente para influir na legislação.

Mais desemprego significa mais populismo

A alta no desemprego está associada ao apoio a populistas na Europa, revela um estudo da Brookings Institution com dados de eleições em 226 regiões de 26 países, entre 2000 e 2017. “O aumento de um ponto porcentual no índice de desemprego está ligado ao crescimento de 2 a 3 pontos na votação de partidos anti-establishment”, dizem os autores. “A crise recente resultou numa atitude mais negativa em relação aos imigrantes, mas esse sentimento está mais ligado ao impacto econômico que à identidade cultural.

Desaceleração na China afeta Brasil

Começa em outubro o congresso do Partido Comunista Chinês, que reúne 2 mil delegados para traçar estratégias e planos sucessórios para os próximos cinco anos. Em novo relatório, a Economist Intelligence Unit (EIU) acredita que a economia esfriará para reduzir o endividamento público (257% do PIB em 2016). A aposta da EIU é que a China cresça 5,8% em 2018. “Isso enfraquecerá o crescimento de países exportadores de matérias-primas para a China, como Austrália, Indonésia e Brasil”, diz o relatório.

O chef que pediu para sair do Michelin

Em vídeo publicado no Facebook, o chef Sébastien Bras, de 46 anos, pediu que o restaurante Le Suquet, no sul da França, fosse excluído do guia Michelin, onde há 20 anos atinge a pontuação máxima de três estrelas. “Talvez eu fique menos famoso”, disse. “Mas não me preocuparei se minhas criações agradarão aos inspetores.”

A presença secular da urina na arte

Lançado há um ano na França, e agora numa edição americana, o livro Figures Pissantes, do historiador Jean-Claude Lebensztejn, faz um histórico da urina nas artes plásticas, entre 1280 e 2014. Lá estão os meninos do Renascimento, as mulheres de Picasso e Gauguin, cenas de videogames e a escultura Imersão, de Andres Serrano, mote para o Congresso americano proibir o financiamento público a obras consideradas obscenas em 1989.

Errata

Na semana passada, cometi um erro ao escrever que Donald Trump “trouxe” o banqueiro Steve Mnuchin do Goldman Sachs para a Secretaria do Tesouro. Mnuchin trabalhou no banco entre 1994 e 2002. De lá até entrar no governo, passou por outras empresas financeiras, além de ter participado de produções de cinema.

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