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A falácia dos indicadores sociais cubanos

Em 1955, Cuba já ostentava alguns dos melhores indicadores sociais latino-americanos

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2016 | 05h00

A Revolução Cubana se gaba de ter, em cinco décadas de socialismo, reduzido em 90% a mortalidade infantil e de ter erradicado o analfabetismo. Mas serão mesmo feitos tão notáveis? Em 1955, Cuba já ostentava alguns dos melhores indicadores sociais latino-americanos. Expectativa de vida: 64 anos, ante apenas 50 no continente (e perto dos 69 dos EUA). População adulta alfabetizada: 79%, ante 58% em toda a América Latina. De acordo com dados do Banco Mundial, entre 1963 e 2015, a mortalidade infantil caiu de 42 para 4 nascimentos por mil em Cuba. Pois, no Brasil, também caiu 88%, de 120 para 14,6. O verdadeiro fenômeno da América Latina no período foi o Chile, conhecido pelo capitalismo de orientação liberal. Reduziu a mortalidade infantil de 112 para 7 nascimentos por mil - ou 94%. Desde os anos 80, o Chile também fez o analfabetismo cair em dois terços, de 9% para menos de 3% da população adulta.

O empobrecimento 

durante a ditadura de Fidel Quem for tentar avaliar o crescimento econômico durante a ditadura de Fidel Castro enfrentará dificuldades. Os economistas não têm lá muita confiança nos números cubanos. O próprio Banco Mundial já foi obrigado a alterar seus dados para adequá-los à realidade. Numa estimativa realista de renda per capita, feita pelo engenheiro espanhol José Rincón no blog Katalepsis, Cuba está em 25.º lugar entre 30 países latino-americanos, à frente apenas de Haiti, Honduras, Nicarágua, Guiana e Guatemala. Desde pelo menos 1990, ficou aquém do Brasil, do Chile e da média da América Latina em crescimento.

O saldo vermelho do paredón

Uma estatística indiscutível é o número de mortos pela ditadura cubana. A conta conservadora do projeto Cuba Archives somava, até a última sexta-feira, 7.181 mortes atribuídas ao regime de Fidel Castro - 3.116 por pelotões de fuzilamento e 1.166 por execuções extrajudiciais. Não entram na conta os milhares de afogados ao tentar fugir do país, nem milhares de outras mortes das quais não restam registros.

Cuba atrás de Angola e Venezuela

Cuba nem era o destino mais visado pelo dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nos governos petistas. Entre abril de 2007 e abril de 2015, projetos cubanos receberam US$ 846 milhões a juros camaradas do BNDES - de um total de US$ 12 bilhões oferecidos a financiamentos no exterior. Angola recebeu US$ 3,5 bilhões; Venezuela, US$ 2,3 bilhões. Em Cuba, a maior parte foi destinada à construção do Porto de Mariel pela Odebrecht: US$ 682 milhões. 

A empresa preferida do BNDES

Só a Odebrecht recebeu 70% dos financiamentos do BNDES no período, fundamental para a expansão internacional da empresa. O modelo funcionava em países onde a corrupção rolava solta, como Angola ou Venezuela. Enfrentava dificuldade naqueles de cultura capitalista mais avançada, como Alemanha ou Estados Unidos.

Saiu barato para a Odebrecht

O acordo de leniência fechado pela Odebrecht na última quarta-feira saiu barato. A empresa pagará uma multa anual média pouco abaixo de US$ 300 milhões durante os próximos 23 anos. Quem conhece a Odebrecht por dentro estima que todo ano o célebre Departamento de Operações Estruturadas gastava US$ 500 milhões com aquilo que chamava de “despesas gerais indiretas”, ou DGI - o codinome interno para propinas.

Twitter manda recado para Trump

O Twitter informou que valem para Donald Trump as mesmas regras que para qualquer usuário: “As regras proíbem ataques violentos, assédio, conduta de ódio e abuso múltiplo de contas. Tomaremos providências nas contas que violem tais condutas”. Já foram banidos por abusos o troll da alt-right Milo Yannopoulos e o ex-ministro da Justiça da Venezuela Tareck El Aissami.

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