A filha rebelde do premiê Berlusconi

Declarações de Barbara entusiasmam oposição

Renata Miranda, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

20 de outubro de 2008 | 00h00

A oposição na Itália parece ter encontrado uma nova heroína. Com cabelos loiros e longos, rosto de boneca e um sobrenome famoso, Barbara Berlusconi caiu nas graças da esquerda italiana com suas declarações sobre a ética na política. "A questão do conflito de interesses precisa de regulamentação e regras para impor uma conduta correta devem ser implementadas e observadas", disse Barbara, de 24 anos, durante um debate sobre ética nos sistemas econômicos.O fato de as declarações virem da filha de um homem acusado de abuso de poder e investigado por corrupção é, no mínimo, curioso - especialmente após Berlusconi conseguir a aprovação de uma lei que o torna imune à Justiça.As alfinetadas públicas de Barbara têm se tornado corriqueiras. Aos 21 anos ela afirmou que proibiria seus filhos de assistirem a programas de TV transmitidos pelo conglomerado midiático de seu pai. Para o jornal de esquerda Liberazione as manifestações da jovem mostram que agora "governo e oposição estão contidos na mesma família". "Sou filha de Berlusconi, mas isso não me impede de ter idéias próprias", afirmou Barbara ao jornal britânico The Times. Ela garante que suas opiniões não causam mal-estar na família. Barbara é filha do segundo casamento de Berlusconi e parece seguir os passos da mãe, a ex-atriz Veronica Lario, nas posições liberais. Veronica - que vive numa mansão longe de Berlusconi - já criticou a guerra no Iraque, apoiada pelo marido, e uma vez indicou que não teria votado no Força Itália.Para especialistas, porém, as declarações de Barbara não passam de um jogo político entre ela e seu pai. "Barbara não está agindo fora do controle de Berlusconi", afirmou ao Estado, por telefone, o pesquisador Francesco Grillo, do centro de estudos Vision, em Roma. O professor de Relações Internacionais James Walston, da Universidade Americana de Roma, avalia que as declarações de Barbara têm pouco efeito. "O próprio fato de a oposição estar demonstrando apoio a ela explicita a falta de opositores no país."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.