Thaier al-Sudani/Reuters
Thaier al-Sudani/Reuters

A fraqueza do Estado Islâmico

Sustentar um califado e atender às necessidades da população revelou-se muito mais difícil do que parecia, mas o grupo jihadista persiste no objetivo

The Economist, O Estado de S. Paulo

21 Março 2015 | 17h00

BAGDÁ, KERBALA E NAJAF - No caixão está o corpo da vítima mais recente, um jovem combatente que perdeu a vida na linha de frente da guerra com o Estado Islâmico (EI). Mas poucos fiéis da mesquita do imã Ali, em Najaf, prestam atenção a ele. Num lado, as mulheres choram e se lamentam no santuário de Ali, o genro do profeta Maomé, o quarto califa do Islã, e cujo assassinato pode ser considerado o início do cisma entre sunitas e xiitas. No outro, um grupo de peregrinos do Irã está sentado em silenciosa oração. O sermão que ressoa dos alto-falantes fala do casamento, e não da guerra. O espaço ao redor do edifício está repleto de famílias e de restos dos piqueniques. 

No verão passado, os moradores de Najaf, reduto xiita do Iraque, temiam mortalmente o Estado Islâmico. Os combatentes da organização saíram de seus redutos na Síria e no noroeste do Iraque, espalharam-se e assumiram o controle de grande parte do território sunita. Faltava pouco mais de 10 quilômetros para que tomassem Bagdá e Erbil, a capital da região autônoma curda no norte do Iraque, igualmente ameaçada. 

Em junho, o EI declarou o restabelecimento do califado - o Estado único que, afirmam, deverá governar todos os muçulmanos. Mas ao contrário do califado de Ali, este definiria de maneira extremamente peculiar o que é um muçulmano: os xiitas não se incluiriam, e muitos sunitas tampouco passariam no teste.

A declaração do califado no território que abrange partes do Iraque e da Síria é fundamental à ameaça específica representada pelo EI. Embora a Al-Qaeda também tenha a visão de um califado, ela o vê como o resultado final da conquista dos muçulmanos à sua causa; o EI o considera algo que, imposto pela força, atrairá os bons muçulmanos. A diferença de opinião explica, em parte, a cisão entre os dois movimentos, dois anos atrás.

Trazer o califado para o campo da ação, não das palavras, tornando-o um verdadeiro Estado é um dos fatores do sucesso do EI no recrutamento de combatentes estrangeiros. Sua localização é propícia; Bilad al-Sham, como o Levante é conhecido, ocupa um lugar especial na imaginação dos que estão comprometidos ideologicamente. As profecias a respeito dos últimos dias envolvem Dabiq, uma área no norte da Síria controlada pelo Estado Islâmico.

Reivindicações. Os insurgentes muitas vezes prestam serviços nos territórios que controlam, mas poucos reivindicam sua soberania, e certamente não na escala do EI. A população atualmente sob o seu controle chega a 8 milhões.

O califado imprime grandeza e certa autoridade, mesmo que a grande maioria dos muçulmanos o repudie. O território proporciona recursos.

Mas as necessidades de um Estado que deve ser expansionista dificultam seu sucesso constante. O EI deve continuar crescendo tanto para levantar dinheiro quanto porque o califado deve se tornar universal. Ao mesmo tempo, precisa governar o que detém a fim de provar que não é apenas mais um grupo terrorista. 

Aparentemente, suas expectativas são excessivas. Sua expansão estagnou desde agosto e foi repelido em grande parte do Iraque.

É por isso que, em Najaf e até certo ponto em Bagdá, a luta contra o EI não é mais entendida como uma luta pela sobrevivência, mas como mais uma guerra. As receitas das quais o Estado Islâmico depende encolheram. E há algumas evidências de que a insatisfação no território em seu poder está aumentando, e também entre seus membros.

A coalizão contra o EI, montada pelos Estados Unidos depois que o primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki deixou o cargo, em agosto, agora engloba cerca de 60 países, e realiza cerca de 10 ataques aéreos por dia. Os EUA enviaram armas ao Exército iraquiano e aos peshmergas curdos; treinam soldados iraquianos, e se preparam para fazer o mesmo para ajudar uma pequena força de combatentes rebeldes da Síria contra o EI.

Mas, na maior parte do Iraque, o grosso dos combates está a cargo das milícias xiitas apoiadas pelo Irã. No auge dos violentos ataques do Estado Islâmico, o grão-aiatolá Ali al-Sistani, um dos clérigos mais importantes do Islã, emitiu uma fatwa (decreto religioso) pedindo aos xiitas que se alistassem na Hashid al-Shabi, uma organização que reúne principalmente milicianos xiitas voluntários. Pelo menos 100 mil atenderam ao apelo.

O Irã forneceu dinheiro e armamento à Hashid al-Shabi; embora o grupo de milicianos responda nominalmente ao governo iraquiano, na maior parte é de responsabilidade do Irã. Teerã exerce também muita influência sobre o Exército, bastante reduzido, treinado pelos americanos, que se tornou sectário sob Maliki, e enviou-lhe seus assessores, como Qassem Suleimani, o chefe de sua Guarda Revolucionária. Graças ao esforço do general Suleimani, Bagdá agora está bem fortificada e os aviões podem pousar e decolar com segurança. 

O toque de recolher que vigorou por 12 anos acabou, permitindo que os iraquianos sentem às margens do Rio Tigre fumando narguilé até de madrugada. Centros comerciais e cafés fervilham de atividade. A atmosfera é mais relaxada do que em qualquer outro período anterior à invasão liderada pelos americanos, em 2003.

O Exército iraquiano e as várias milícias xiitas combatem em cinco frontes na Província de Salaheddin, a noroeste de capital, e em breve poderão conquistar Tikrit, a capital, embora o avanço na cidade tenha sido interrompido desde o dia 13. Desde então, o Exército estaria pedindo mais ataques aéreos americanos.

Os curdos recuperaram o que consideram partes do Curdistão. Seu fronte tem o apoio da Força Aérea e é bem defendido. “É como a 1.ª Guerra ao longo desta fronteira de mil quilômetros”, diz um diplomata.

As incursões do Estado Islâmico às vezes irrompem através da linha fronteiriça - em janeiro houve um ataque feroz a Kirkuk -, mas raramente penetram mais de 5 quilômetros em território curdo.

No total, o EI perdeu cerca de 13 mil km² de território, ou seja, um quarto do que detinham no auge da invasão. Funcionários americanos admitem que cerca de mil combatentes morreram somente na batalha por Kobani, cidade curda na fronteira entre a Síria e a Turquia que o EI tentou tomar durante meses, sem conseguir.

Dezessete dos seus 43 comandantes de alta patente foram mortos, segundo Hisham al-Hashimi, analista iraquiano do EI em Bagdá. Mas, apesar de todas as perdas, os combatentes na linha de frente afirmam que não há nenhum sinal de que o número de combatentes do EI tenha diminuído. Ao que tudo indica, o recrutamento continua.

Se a pressão militar ainda não está reduzindo significativamente o número de combatentes do EI, produz outras consequências. Segundo Hussam Naji Sheneen Thaher al-Lami, ex-integrante do EI, atualmente preso em Bagdá, o grupo jihadista teme os ataques aéreos. Eles têm impedido o transporte de suprimentos em comboios. Por outro lado, o EI mudou suas táticas. 

“Antes, seus integrantes ganhavam ou morriam”, afirma Saad Maan, do Ministério do Interior do Iraque. Agora, às vezes recuam. “Eles não nos enfrentam em terra”, diz Naim al-Obeid, integrante da Asaib Ahl al-Haq, uma das milícias xiitas mais notórias do Iraque. “Em vez disso, usam bombas improvisadas e combatentes suicidas.” Maan afirma que as forças iraquianas “quebraram a vontade do EI”; outros veem nisso uma resposta tática à nova situação.

Os demônios. O papel de liderança exercido pelas milícias xiitas é um problema no que se refere à recuperação do terreno nas mãos do Estado Islâmico. As pessoas que vivem em seus principais territórios são em grande parte sunitas que se revoltaram contra seus governos nacionais pela ação da repressão de Bashar Assad na Síria e da discriminação em favor dos xiitas de Maliki no Iraque. Eles não gostam dos xiitas armados. Até o momento, o problema não tem sido intransponível, mas as operações ocorreram em grande parte em locais com populações mistas xiitas e sunitas.

Embora a Hashid al-Shabi seja cuidadosa ao se definir como nacionalista - os caixões em Najaf são cobertos com a bandeira vermelha, branca e negra do Iraque, em lugar da bandeira negra que cobre em geral os esquifes na mesquita -, a organização é quase totalmente xiita. Segundo muitos milicianos, a luta é claramente sectária.

Os americanos relutam em tomar parte de operações com as milícias xiitas, algumas das quais combateram contra eles - como no caso de Asab Ahl al-Haq - durante a ocupação após 2003. As milícias e os iranianos, por sua vez, estão menos ansiosos do que o Exército iraquiano pela ajuda do poderio aéreo americano. O que explica a ausência de ataques aéreos em Tikrit.

Isso é agravado pela reputação de brutalidade e pelas execuções sumárias das milícias. Este comportamento em Tikrit teria implicações para um eventual avanço sobre Mossul, cidade muito maior que inicialmente foi um lugar familiar para o grupo outrora jihadista que apoiava a Al-Qaeda, hoje no controle do EI. Na opinião de alguns, a verdadeira capital do califado é Mossul, não Raqqa, a cidade no leste da Síria para a qual o EI fugiu, Muitos de seus cidadãos, que ficaram felizes ao ver o Exército de Maliki pelas costas com a chegada do EI, consideram o avanço da milícia xiita uma forma de vingança, de acordo com uma mulher que vive no local.

Como os sunitas não confiam na Hashid al-Shabi, a nova força de combatentes e da polícia local está sendo treinada para combater em Mossul, diz Osama al-Nujaifi, um dos vice-presidentes iraquianos, sunita originário daquela cidade. 

Alguns duvidam de que essa força fique pronta em algum momento, ou que possa se coordenar com outras forças. O que aumenta a incerteza quanto à amplitude de persistentes ataques contra o EI e sua rapidez. Embora funcionários americanos sugiram que um assalto a Mossul possa começar dentro em breve, a afirmação é claramente prematura, pois ainda não se sabe ao certo quais serão os grupos que participarão do confronto.

Na Síria, onde tem poucos inimigos no terreno, o Estado Islâmico continua mantendo a maior parte do território tomado. Embora tenha sido repelido em direção ao sul pelas forças curdas sírias no nordeste, ele se desloca lentamente em direção a oeste, no deserto que limita com Hama e Homs, onde se encontram os campos petrolíferos atualmente nas mãos do regime de Bashar Assad.

Mas é difícil saber se tomar mais poços petrolíferos ajudará o EI. Os aviões da coalizão realizam ataques de precisão a instalações petrolíferas; no dia 8 de março, destruíram uma refinaria do EI perto de Tel Abyad, no norte da Síria. Hashimi admite que o EI perdeu quase três quartos de suas receitas petrolíferas desde o início dos ataques e, com isso, sua situação se complica. Por outro lado, não tem perspectiva do ingresso de mais dinheiro do resgate dos reféns ocidentais. Os cofres dos bancos de Mossul já foram saqueados. A organização poderá fazer dinheiro vendendo artefatos culturais que não destruiu por considerá-los idólatras (destruição que poderá aumentar o valor dos que permanecem intactos), mas, além disso, resta-lhe o dinheiro trazido pelos novos combatentes, pela extorsão e pelos impostos cobrados em nome do zakat, a esmola islâmica.

A escassez de recursos é uma das razões pelas quais o EI está encontrando dificuldades enquanto Estado. Inicialmente, ele oferecia serviços completos, até mesmo escolas (embora com os currículos modificados: sem inglês, e com o aumento dos estudos do Alcorão), hospitais e eletricidade. Recentemente, a situação se tornou mais complicada; e poderá se tornar ainda mais, se os governos iraquiano e sírio pararem de pagar os salários dos funcionários públicos aos trabalhadores das áreas controladas pelo EI. Os sírios que fugiram de Raqqa reclamam do lixo nas ruas e da falta de energia elétrica. Os combatentes ainda recebem seu salário, que varia de US$ 90 a US$ 500 mensais, com um extra para as mulheres e os filhos, mas Hashimi diz que agora eles recebem menores subsídios para o aluguel e o transporte.

A mulher que mora em Mossul conta que os serviços continuam funcionando. Mas isso pode mudar. O cloro, usado para purificar a água, acabou. Essas coisas minam a aspiração do EI à criação de um governo, e afastam os sunitas iraquianos que inicialmente o acolheram. Estes não são os únicos motivos de insatisfação. “Quando o EI chegou, os habitantes de Mossul ficaram contentes”, ela disse. “Mas agora muitos veem que sua situação não melhorou (em relação à época do Exército de Maliki). Eles prendem nossos homens sem nenhuma razão, pedem dinheiro às pessoas e obrigam os proprietários a fecharem suas lojas e a pagar se quiserem reabri-las.”

A vida ainda é tolerável para os que aceitam a versão da lei islâmica do EI ou o consideram um bastião contra as perseguições do regime brutal de Assad ou o governo liderado pelos xiitas no Iraque. Mas na medida em que a situação se torna mais difícil, o EI aumenta a repressão.

Está espionando os civis e os próprios combatentes e punindo brutalmente as transgressões: recentemente, um combatente teria sido decapitado por ter se mostrado ansioso por decapitar outros. Todo mundo deve obedecer às suas regras sociais draconianas - não fumar e usar o niqab é obrigatório.

Não surpreende que aumente a irritação das pessoas com as normas do EI, principalmente em território sírio. A origem iraquiana da maioria dos altos escalões implica que o EI é considerado por muitos um ocupante. Alguns homens do EI na Síria foram assassinados, e a organização andou mudando rotativamente seus emires - príncipes, como são conhecidos os governantes locais - temendo um golpe em razão das disputas entre combatentes locais e estrangeiros (os combatentes estrangeiros recebem mais). Novas medidas teriam sido adotadas para dificultar a fuga, o que sugere que muitos combatentes a tentaram.

Diante de tal situação, as táticas de propaganda do EI cada vez mais chocantes, como queimar vivo um piloto jordaniano capturado e a destruição da antiga cidade iraquiana de Nimrud com máquinas de terraplenagem, podem ser entendidas como uma espécie de ataque para mascarar sua fraqueza. 

Mas isso não parece reduzir a limitada base de recrutas potenciais, animados pela promessa do EI de um novo Estado. Os combatentes continuam chegando do exterior, em geral do mundo árabe, com um número maior de tunisianos e sauditas, mas também muitos ocidentais.

Além de fornecerem combatentes, outras partes do mundo também oferecem suporte ideológico. Abu Bakr al-Baghdadi, o líder do Estado Islâmico, aceitou as promessas de lealdade de grupos da Líbia e da península do Sinai, assim como do Boko Haram na Nigéria. O que aumenta o prestígio do califado, mas a liderança do EI parece exercer pouco comando operacional sobre os grupos que prestaram juramento.

Inimigos. Se não conseguir avançar, o califado poderá entrar em colapso, o que impossibilitaria a concretização das pretensões do EI a alguma importância histórica, ou mesmo filosófica. Em lugares dos quais foi expulso, o EI já se parece muito mais com a organização terrorista que era antes de iniciar a tomada dos territórios. Desde que Yusufieh, uma cidade ao sul de Bagdá, foi libertada do controle do EI, tem sido atingida por inúmeros bombardeios. “Os safávidas” e “os cruzados”, como o EI chama o Irã e o Ocidente, são preocupações secundárias; matar inimigos locais é mais importante.

Por isso, a sedução internacional exercida pelo EI poderá perdurar em parte além do seu califado, e seus veteranos certamente se dispersarão pelo mundo. Ataques em nome do EI vêm ocorrendo de Sydney a Paris.

“Nunca vimos uma ameaça terrorista como esta”, afirma Brett McGurk, um funcionário americano. “Os combatentes são extremamente jovens, de modo que a ameaça permanecerá aqui pelo restante de nossas vidas.”

Ao mesmo tempo, os fatores políticos que permitiram ao EI aspirar a um Estado soberano certamente poderão sobreviver a ele. Na Síria não há sinais de que a guerra esteja chegando ao fim. Mas as ironias se multiplicam. O Irã, que teme o EI, continua sustentando Assad. Este, por sua vez, acha o Estado Islâmico um apoio útil; enquanto persistir como força, ele pode se imaginar combatendo uma insurgência islamista que os EUA também consideram hedionda, mas não têm como combater no terreno.

Em Bagdá, os xiitas do Iraque continuam dominando a política. Isso não significa que não estejam ocorrendo mudanças. Os iraquianos das principais tendências concordam que a política era melhor sob Haider al-Abadi, que se tornou primeiro-ministro no ano passado, do que na época de Maliki. Abadi formou um gabinete mais abrangente, dividindo os ministérios entre sunitas, xiitas e curdos, e aprovou um orçamento, embora com muitos problemas. Em parte graças à ameaça do EI, há um novo espírito de cooperação.

Mas há mais conversas do que ação, afirma Ayad Allawi, vice-presidente. As exigências dos sunitas que querem a libertação de prisioneiros da época de Maliki não foram atendidas na maior parte.

Muito depende do destino da Guarda Nacional, uma nova força proposta para contrabalançar o predomínio xiita na região. Muitos iraquianos temem que se trate simplesmente de um novo rótulo da Hashid al-Shabi, com alguns sunitas, concedendo um novo status às forças essencialmente iranianas, e, desse modo, uma ampliação da influência do Irã sobre a situação da segurança. Num país profundamente desconfiado, muitos acreditam que o EI seja na realidade uma frente destinada a justificar a tomada do aparato de segurança pelo Irã; mas muitos outros acham que se trata de um complô americano.

Os sunitas contrários ao EI acham que deveriam voltar a se armar, como quando os americanos combatiam a Al-Qaeda no Iraque. Mas ninguém está disposto a lhes fornecer armas. “Nós queríamos um exército nacional”, afirma Ghazi Faisal al-Kuaud, membro de uma tribo que está lutando ao lado do governo em Ramadi. “Em vez disso, eles montaram o equivalente xiita do Estado Islâmico.”

E a desconfiança xiita cresce a um ritmo que acompanha o das perdas de suas milícias. 

Observando o aumento dos túmulos em Najaf, os coveiros comentam que têm tido um enorme trabalho enterrando milicianos. “Nunca trabalhei tanto”, afirma um deles. “Nem mesmo depois de 2003 ou 2006 (no ápice da guerra civil do Iraque).” Os sunitas “nunca aceitaram perder o poder que lhes pertencia desde o tempo do imã Ali, nem poderiam aceitar agora”, diz Haider, xiita, dono de uma mercearia.

“Sempre que encontrar sunitas e der armas a eles, encontrará o EI”, afirma Bashar, um miliciano. Muitos xiitas acham que a luta contra o EI justifica a exclusão dos sunitas do governo e do aparato de segurança.

Hoje, é muito mais improvável do que nunca que o Estado que o EI pretendia construir se torne uma realidade duradoura, e isso é ótimo. Mas o território arruinado no qual esperava construí-lo poderá acabar ainda mais danificado do que estava no início.

© 2015 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR ANNA CAPOVILLA, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM.

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