Rodrigo Abd/AP
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À frente de apuração acirrada no Peru, Kuczynski terá de cooptar deputados

Economista tinha cerca de 90 mil votos de vantagem sobre Keiko, mas sua bancada no Legislativo é composta por apenas 18 dos 130 parlamentares

Luiz Raatz, Enviado Especial / LIMA, O Estado de S. Paulo

07 de junho de 2016 | 05h00

Diante da estreitíssima margem que, nesta segunda-feira à noite, não garantia a vitória nem do economista Pedro Pablo Kuczynski nem da conservadora Keiko Fujimori no segundo turno presidencial de domingo no Peru, assessores ligados aos dois candidatos já buscavam ontem refazer as bases para um possível governo. No boletim liberado no começo da noite, com 94,2% dos votos apurados, Kuczynski obtinha 50,275 dos votos e Keiko, 49,72%. 

Nesta terça-feira, partidários de PPK, como Kuczynski é conhecido, já baixavam o tom das duras críticas da campanha de olho nas futuras relações com o Legislativo. 

Em abril, seu partido elegeu apenas 18 dos 130 deputados do Parlamento unicameral, enquanto o partido de Keiko, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, obteve uma maioria de 73 representantes.

Com essa maioria, o fujimorismo pode complicar bastante um possível governo Kuczynski, apesar da proximidade ideológica das duas forças eleitorais no que se refere à economia. O partido Fuerza Popular, de Keiko, tem votos suficientes para vetar ou aprovar leis, impedir a nomeação de ministros e até mesmo proibir viagens do presidente para o exterior.

Com cerca de apenas 90 mil votos separando os candidatos no boletim eleitoral do começo da noite, porém, os dois partidos evitavam declarações que pudessem soar como admissão de derrota. As duas forças eleitorais diziam que os 6% de votos restantes proviriam de regiões onde seus candidatos eram favoritos.

A campanha de Kuczynski dizia que pelo fato de essas urnas virem do sul do Peru, região onde PPK foi bem votado, a vantagem, embora pequena, seria irreversível. 

Desde a redemocratização do Peru, com a renúncia de Alberto Fujimori no ano 2000, os segundo turnos sempre foram polarizados, mas nunca a margem foi tão estreita.

Kuczynski alertou para o risco de uma fraude diante de uma diferença tão pequena. “Temos de estar atentos para que não nos roubem votos”, disse na madrugada desta terça-feira.

“O voto rural que falta vem basicamente do sul do país, onde a vitória de PPK foi avassaladora”, disse o deputado eleito pelo partido Peruanos Por el Kambio Gilbert Violeta. 

Do lado fujimorista, a confiança persistia. Em discurso logo depois da primeira parcial do Onpe, que dava a Kuczynski uma vantagem de 1 ponto porcentual, Keiko disse a simpatizantes que tinha o apoio de 50% dos peruanos. 

Na madrugada, seu porta-voz, Pedro Spadaro, chegou a declarar vitória, dizendo que Keiko seria a nova presidente do país, em pronunciamento a militantes fujimoristas no Hotel Meliá, em San Isidro, bairro nobre de Lima.

Projeções de boca de urna feitas no domingo indicaram que Keiko e PPK venceram em 13 províncias cada um. Na maioria dos casos, Kuzcysnki saiu-se melhor no sul do país e Keiko, no norte, com Lima dividida: o núcleo da capital votou pelo economista e a região metropolitana, pela filha de Fujimori.

Analistas creditam à mobilização antifujimorista na última semana de eleição – e em especial ao apoio a PPK dado pela terceira colocada na disputa, a deputada Verónika Mendoza – a reversão de uma tendência de favoritismo de Keiko. 

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