'A Grã-Bretanha está cada vez mais isolada'

Embaixador da Argentina em Washington, Jorge Arguello diz que a Guerra das Malvinas diminuiu as chances de o país retomar a soberania do arquipélago, que a Casa Rosada tenta negociar na ONU. "A opção militar está definitivamente descartada", disse. A seguir, os principais trechos da entrevista de Arguello ao Estado.

Entrevista com

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2012 | 03h01

Por que a guerra foi desastrosa para a Argentina recuperar a soberania sobre as Malvinas?

Porque, antes da guerra, Londres e Buenos Aires se aproximavam de uma negociação em sintonia com a Resolução 2.065 da ONU, que reconhece ser um caso de "descolonização especial e particular".

O que falta para a Grã-Bretanha negociar?

Primeiro, a opção militar está descartada. Não só porque nos expressamos pela via pacífica como também porque a Argentina deve ser um dos países da América Latina que menos investem em armamentos. Segundo, a Argentina não impõe nenhuma condição para o início da negociação.

A presença britânica nas ilhas segue uma lógica geopolítica?

Há interesse estratégico de Londres, que controla uma porção importante do Atlântico Sul, da Ilha de Ascensão até as Malvinas. A base militar está ali mais para assegurar a exploração de recursos naturais do que para defender a população. É uma posição a 14 mil km de Londres e a 400 km da Ilha dos Estados, primeira porção do território argentino.

A recuperação da soberania pode ocorrer de forma gradual como ocorreu com Hong Kong?

Não descartamos nenhuma hipótese, mas não podemos avançar sobre ideias antes de termos uma mesa de negociação.

Isso é suficiente?

Acho que sim. Talvez não de imediato. Mas há crescente isolamento da posição de Londres. Há alguns anos, dizia-se que a demanda argentina estava condenada. Hoje, até países da comunidade britânica no Caribe defendem a negociação.

Os EUA se mantêm neutros. Esse apoio não seria decisivo?

Os EUA apoiam as negociações. O governo americano diz ser neutro apenas sobre a questão de fundo, ou seja, se a soberania é britânica ou argentina. Em 1982, os EUA deram apoio logístico à Grã-Bretanha. Estamos, portanto, diante de uma evolução importante de Washington.

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