A Grécia como porta de entrada

Outros integrantes da União Europeia pressionam país a conter mais imigrantes

Liz Alderman, New York Times

03 de fevereiro de 2016 | 02h04

Após tentar convencer a Turquia, quase sempre em vão, a opor-se ao fluxo de migrantes, a Europa chegou a um ponto crítico na crise dos refugiados. Como serão poucas as opções restantes no caso de a guerra civil na Síria não acabar, grande parte do continente resolveu se unir em torno de propostas que fortaleceriam a fronteira com a Macedônia e transformariam a Grécia num gigantesco centro de triagem para os refugiados.

No posto de fronteira em Idomeni - uma das portas de entrada da Europa mais movimentadas em razão dos refugiados que rumam para o norte e local de episódios ocasionais de violência entre autoridades e migrantes frustrados - a Grécia teve durante alguns meses a função de filtrar, até certo ponto, o seu ingresso. Teoricamente, o país só permite que sírios, iraquianos e afegãos prossigam a viagem até seu destinos preferidos - Alemanha e Áustria.

Os outros - como os provenientes de Irã, Marrocos, Eritreia, Líbia, Somália e Congo - seriam enviados para campos em Atenas, de onde poderiam ser deportados ou solicitar asilo na Grécia, cujos problemas econômicos não a tornam atraente como nova pátria, caso se disponha a aceitá-los.

Segundo outras nações europeias, no entanto, a Grécia não está fazendo o suficiente para fazer valer a fronteira e, prevendo-se o aumento da afluência à medida que as condições meteorológicas melhorem, a pressão para a aplicação de uma nova estratégia está crescendo rapidamente.

Exasperados com o que consideram uma política do governo grego convencer as pessoas a prosseguir para o restante da Europa, as autoridades da UE estão debatendo a expulsão da Grécia da zona de livre circulação do bloco, conhecida como Espaço Schengen.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, endossou a alternativa de enviar a polícia dos países-membros para a Macedônia, que não faz parte da União Europeia, com a tarefa de criar uma zona-tampão do seu lado da fronteira com a Grécia.

Resposta. As autoridades gregas reagiram revoltadas às propostas. Elas afirmam que os planos não impediriam que migrantes tentassem ir para a Europa, como resultado da estigmatização da Grécia - já rigorosamente vigiada por depender dos recursos da ajuda internacional - por uma crise criada em outras partes da Europa.

Esta semana, a UE propôs permitir que os países suspendam o acordo de Schengen por dois anos, medida que poderá provocar o colapso da política de abertura das fronteiras e prejudicar as economias no momento em que o bloco necessita de mais recursos para tratar da questão dos migrantes. Vários países-membros, como Alemanha, Suécia, Hungria e Áustria, já voltaram a instituir os controles.

As autoridades europeias acusam a Grécia de criar um verdadeiro dominó de fronteiras submetidas a controles ao longo da rota até a Alemanha.

Embora o fluxo de migrantes tenha diminuído no inverno, os números são mais elevados do que nunca para esta época do ano. Somente em janeiro, mais de 45 mil migrantes chegaram às ilhas gregas procedentes da Turquia, 20 vezes mais que no ano anterior.

Quando a Macedônia fechou a fronteira por um dia sem aviso prévio na semana passada, os migrantes amontoaram-se atrás das cercas com arame farpado e lâminas que provocaram a morte de um paquistanês no meio do caos. Em novembro, centenas de migrantes do lado grego atacaram a polícia macedônia com pedras, temendo ser impedidos de atravessar.

*LIZ ALDERMAN É JORNALISTA

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