A guerra que ainda pode ser vencida por Washington

Viajei ao Afeganistão cético quanto aos esforços americanos para transformar esse pais - uma das nações mais pobres, menos educadas e mais corruptas do mundo. Afegãos têm uma sociedade infinitamente complexa e fragmentada, têm inimigos poderosos no Paquistão, Irã e nas redes de drogas, que trabalham para fomentar o caos e está repleto de ruínas de potências.Ademais, nós não sabemos modernizar países. Cada elemento de meu ceticismo foi reforçado durante uma viagem de seis dias pelo país. No entanto, as pessoas que trabalham aqui estão convictas de que o Afeganistão pode se tornar uma sociedade funcional, adversária do terrorismo, pela qual vale a pena arriscar a vida de nossos filhos e filhas.Primeiro, o povo afegão quer o que nós queremos. Eles são, como Lorde Byron colocou, um dos poucos povos da região sem complexo de inferioridade. Acham que nos fizeram um grande favor ao destruir a União Soviética e nós retribuímos com abandono. Isso torna as relações entre afegãos e estrangeiros francas. A maioria dos líderes militares aqui prefere trabalhar com os afegãos do que com os iraquianos. Os afegãos são receptivos, detestam os insurgentes e torcem pelo sucesso americano.Segundo, já avançamos bastante na fase de trapalhadas de nossa guerra. No início, países ocidentais subestimaram a insurgência e tentaram centralizar o poder em Cabul. Esses e outros erros foram expostos, e as forças da coalizão estão aprendendo.Terceiro, temos prioridades corretas. Exércitos adoram matar maus elementos, agencias humanitárias adoram construir escolas. Mas a parte mais importante de qualquer auxílio é governança, lei e ordem. É reformar a polícia, melhorar os tribunais, treinar servidores civis locais e construir prisões. Mas, no Afeganistão, ocidentais estão finalmente focando nisso.Quarto, a qualidade dos líderes afegãos está melhorando. Essa é uma coisa relativa. O presidente Hamid Karzai é detestado por militares e alguns governadores são traficantes de drogas. Mas, como Kai Eide, da ONU, disse, "O governo afegão é hoje melhor e mais competente do que algum dia já foi."Quinto, os EUA estão finalmente levando a guerra a sério. Até agora, os insurgentes tiveram rédea solta em vastas áreas. A infusão de 17 mil novos soldados mudará isso. Obama também promete um aumento do pessoal civil.Sexto, o Paquistão está finalmente na agenda. Os EUA haviam deixado Islamabad se safar com assassinatos. Os insurgentes treinam, se organizam e obtêm suporte ali.Finalmente, é simplesmente errado dizer que o Afeganistão é uma excrescência do século 14 sem esperança. O país teve instituições decentes antes da tutela comunista. Ele não caiu no caos, como o Iraque, porque tem uma cultura de discussão e respeito pelos anciões. Os afegãos abraçaram o processo democrático com entusiasmo.Termino esta viagem ainda cético. Mas também tomado pelo otimismo de pessoas notáveis que trabalham aqui.*David Brooks é colunista

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