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As histórias de alguns dos sobreviventes do desabamento em Gênova

O ex-jogador Davide Capello caiu de uma altura de quase 30 metros e conseguiu escapar; a médica Valentina Galbusera pegava o carro estacionado embaixo da ponte quando um rapaz a pegou pelo braço gritando: 'vamos correr'

O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2018 | 21h34

Giovanne Cacciarelo, caminhoneiro de 45 anos que vive em Gênova, passava todos os dias pela Ponte Morandi. Há mais de 20 anos ele dirige para ganhar a vida, e o trajeto pela ponte é uma necessidade. Nunca imaginou que a ponte poderia ruir com ele em cima. “Eu vi a ponte desmoronar no espelho retrovisor do caminhão. Trabalho na fábrica que fica embaixo da Morandi. Só hoje (ontem) passei por ela duas vezes. Quando voltava da (estrada) A10, já quase no fim da ponte, ouvi o estrondo. Nunca ouvi nada tão alto, parecia um vulcão. Quando olhei pelo retrovisor, vi a fumaça subindo e a ponte caindo. Vi a ponte desabar pelo retrovisor” disse Giovanne ao Corriere Della Sera. “Estou vivo por milagre, mas fiquei com um medo terrível de morrer. Queria não ter passado por esta ponte hoje.”

O jogador de futebol Davide Capello, de 36 anos, deu ainda mais sorte. Ele afirma que a sensação que teve enquanto a Ponte Morandi caía era a de estar caindo com ela. “Eu estava bem em cima da ponte, e ouvi um som abafado. Senti um tremor e percebi que a estrada estava caindo. Eu vi a estrada caindo, e me vi caindo com ela”, contou ao jornal La Repubblica Davide Capello goleiro do Legino, time amador de Savona, e ex-atleta profissional do Cagliari. “Devo ter caído uns 20 metros, meu carro ficou destruído. Eu consegui descer e telefonar para os bombeiros, depois liguei para minha família. Foi chocante. Sinto que nasci de novo. Fui tocado por um milagre.”

O motorista do caminhão verde que ficou à beira do precipício de quase 50 metros que se abriu com a queda da Ponte Morandi só se salvou porque “dirigia devagar”. “Vi a estrada na minha frente desmoronar com todos os carros caindo”, disse Francesco, um italiano de 37 anos, casado e pai de dois filhos, a seus superiores. “Ele nos disse que só sobreviveu porque estava devagar. Por causa da chuva, dirigia lentamente”, falou ao jornal italiano Il Messaggero Giorgio Venturoli, responsável pela comunicação da rede de supermercados Basko, onde o caminhoneiro trabalha. “Ele falou que a cena foi apocalíptica e não sabe como sobreviveu. Está em estado de choque.”

A médica Valentina Galbusera, de 44 anos, é diretora do serviço de transfusão de sangue do Hospital Villa Scassi, cujo estacionamento fica bem embaixo da ponte que desabou. “Eu estava indo pegar meu carro quando ouvi um rapaz gritar para mim: ‘vamos correr’. Ele agarrou meu braço, corremos por um momento e, quando olhei para trás, parecia que estava em um filme, a ponte desabava, meu carro estava embaixo dos escombros. Havia desaparecido”, disse Galbusera ao jornal La Repubblica. “É graças a ele que estou viva, senão teria sido esmagada pelos escombros da ponte, talvez fosse um anjo da guarda, mas foi graças a ele.” 

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