Jim Bourg/Reuters
Jim Bourg/Reuters

‘A hora de aumentar a pressão sobre o chavismo é agora’

Segundo o embaixador de Guaidó nos EUA, 'é melhor tomar posições duras hoje do que esperar que a situação se complique mais'

Entrevista com

Carlos Vecchio, embaixador de Juan Guaidó nos EUA

Beatriz Bulla, Correspondente / Washington , O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2019 | 05h00

O grupo de Juan Guaidó, opositor de Nicolás Maduro, quer que o governo de Jair Bolsonaro aumente a pressão sobre o chavismo. Segundo o embaixador de Guaidó nos EUA, Carlos Vecchio, “é melhor tomar posições duras hoje do que esperar que a situação se complique mais”. Vecchio recebeu o Estado no centro de estudos Diálogo Interamericano, em Washington. A seguir, os principais trechos da conversa.

O que falta para redemocratizar a Venezuela? 

De janeiro para cá, temos escalado a montanha e creio que cada dia estamos mais perto de chegar ao pico, que neste caso é conquistar a liberdade. A oposição segue forte na busca de mudança. Ficou claro que o grupo próximo a Maduro estava negociando sua saída e muitos já falam na necessidade de abandoná-lo. Todos os elementos nos fazem ver que estamos muito perto. 

Guaidó tem dificuldades de manter a oposição unida?

Toda oposição ou sociedade tem uma expressão democrática, que são as visões distintas. Mas, quando colocamos uma agenda, mostramos que temos unidade. Por exemplo, todos estamos pressionando pelo fim da usurpação e da tirania, pelo estabelecimento de um governo de transição e todos nós reconhecemos a liderança de Guaidó. Mas não estamos tranquilos. Alguns do círculo do presidente interino estão presos, 15 deputados foram detidos, incluindo o vice-presidente da Assembleia Nacional. Muitos estão em embaixadas, outros no exílio. Apesar de toda a dificuldade, avançamos. Hoje, estamos melhor do que há três meses e o regime de Maduro, muito mais fraco. 

Por que não há mais defecções de chavistas próximos a Maduro?

Todos sabem que, para solucionar a crise da Venezuela, Maduro tem que sair. Há um descontentamento do grupo que está hoje com o regime. Mas é uma questão de tempo. 

O que falta?

É preciso manter três níveis de pressão: das ruas, da Assembleia Nacional e da comunidade internacional. Se essa pressão aumenta mais, provocará um desfecho. Por exemplo, muitos chavistas recorrem à Europa para escapar das sanções americanas. Fechar essa porta seria um passo importante. Europa e América Latina precisam entender que, se a pressão aumentar, o regime será obrigado a buscar uma saída. 

O que vocês esperam do Brasil?

Eu agradeço ao presidente Bolsonaro pela posição que tomou, respaldando nossa embaixadora e entregando as credenciais. O Brasil tem um peso relevante na região e, junto com a Colômbia, é um dos países mais afetados pela crise. Isso manda uma mensagem aos outros países que ainda apoiam Maduro. A região entendeu que a crise não se resolveu antes, infelizmente, em razão do apoio de Rússia e Cuba à ditadura de Maduro. 

Mas o que o Brasil pode fazer que ainda não tenha sido feito?

Os casos de corrupção no governo de Maduro e de Chávez são elementos importantes que se pode utilizar como pressão. Acho que nisso o Brasil pode ajudar. Também poderia limitar o trânsito de funcionários do regime. O Brasil também pode pressionar a Europa, para que ela imponha mais sanções. A hora de aumentar a pressão sobre o chavismo é agora.

 

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