A importância do Novo Start

Pacto sobre redução de armas nucleares permitirá laços mais estáveis entre Rússia e EUA sem afetar segurança

Hillary Clinton, Robert Gates, THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2010 | 00h00

Durante décadas, inspetores americanos monitoraram as forças nucleares russas, pondo em prática a máxima favorita do presidente Ronald Reagan: "Confie, mas verifique." Desde que o velho Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start, na sigla em inglês) expirou, em dezembro, nós dependemos exclusivamente da confiança. Até um novo tratado entrar em vigor, nossos inspetores não terão acesso aos silos de mísseis russos e os dois maiores arsenais nucleares do mundo não terão a estabilidade que decorre de um rigoroso regime de inspeção.

Antes dessa sessão do Congresso terminar, conclamamos os senadores a aprovar um tratado de controle de armas que permitirá novamente o acesso de inspetores americanos a sítios estratégicos russos e reduzir as armas nucleares mantidas pelas duas nações a um nível nunca visto desde os anos 50.

O Novo Start, assinado pelo presidente Barack Obama e o presidente russo Dmitri Medvedev em abril, tem amplo apoio bipartidário. Todos compreendem que os perigos nucleares não desapareceram com a União Soviética e temos a responsabilidade - ante os americanos e os aliados - de ficar atentos a outros arsenais nucleares do mundo.

O tempo está se esgotando para este Congresso. Eis o que está em jogo: o Novo Start promoverá objetivos de segurança nacional críticos, como reduzir o número de armas nucleares posicionadas sem deixar de conservar um dissuasor seguro e eficaz, fornecer dados direto do arsenal nuclear da Rússia e criar uma relação mais estável, previsível e cooperativa entre as duas principais potências nucleares.

Ele colocará em ação um regime de efetiva verificação para rastrear o progresso de cada lado na redução de seu arsenal para 1.550 ogivas estratégicas. Poderemos contar o número de armas estratégicas posicionadas com maior precisão. Realizaremos 18 inspeções anuais de forças nucleares russas sem aviso prévio. O Novo Start também estabelecerá o cenário para futuras reduções de armas. Ele ajudará a solidificar o reinício das relações americanas com a Rússia, que nos permitiu cooperar na busca de interesses estratégicos.

Isso é o que o tratado fará. Eis o que ele não fará: ele não limitará nossa capacidade de desenvolver e posicionar as defesas antimísseis mais efetivas para proteger as forças e o território dos EUA e para melhorar a segurança de nossos aliados e parceiros. Este governo está comprometido com a manutenção e a melhoria de nossas capacidade de defesa antimísseis e propôs gastos de quase US$ 10 bilhões no ano fiscal de 2011.

Ele não restringirá nossa capacidade de modernizar nossas forças nucleares. Ao contrário, os EUA continuarão mantendo um robusto dissuasor nuclear: mísseis balísticos intercontinentais, mísseis balísticos lançados de submarinos e bombardeiros para armamentos nucleares.

O tratado também nos permite fazer os investimentos necessários para estoques nucleares seguros e efetivos. Ao todo, o governo propôs gastos de US$ 180 bilhões na infraestrutura que sustenta nossas armas nucleares e os meios para usá-las.

Finalmente, o Novo Start não limitará nossa capacidade de desenvolver e posicionar armamentos convencionais mais eficazes possíveis, incluindo sistemas de ataque que poderiam atingir um alvo em qualquer parte do globo em menos de uma hora.

Cada presidente desde o início da Guerra Fria optou por acordos de controle de armas verificáveis que foram aprovados pelo Senado. O Novo Start também merece ratificação. A segurança nacional depende disso. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

HILLARY É SECRETÁRIA DE ESTADOGATES É SECRETÁRIO DE DEFESA

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