A libertação no mundo por meio da banda larga

Rede é capaz de revolucionar indicadores socioeconômicos

SHASHI THAROOR, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2010 | 00h00

Participei recentemente de um grupo de 30 homens e mulheres de todas as partes do mundo - ministros, burocratas e estrategistas - em um encontro da União Internacional de Telecomunicações (ITU, na sigla em inglês), em Genebra, para discutir como a banda larga pode transformar o mundo para melhor. A "Comissão da Banda Larga" foi presidida por Paul Kagame, presidente de Ruanda, e pelo magnata das comunicações do México, Carlos Slim.

Não por acaso, a ITU estabeleceu a comissão em parceria com a Unesco. A ONU reconhece que, para a revolução da informação avançar mais, precisará de um esforço público-privado. Para Hamadoun Touré, secretário-geral da ITU, "no século 21, redes de banda larga serão tão cruciais para a prosperidade econômica e social quanto as redes de transporte, água e eletricidade".

Max Frisch, escritor e dramaturgo suíço, certa vez menosprezou a tecnologia, definindo-a como "a arte de manipular o mundo de forma que não precisemos mais experimentá-lo". Hoje, entretanto, a tecnologia é para uma efetiva participação no nosso mundo. E, embora a humanidade não possa viver apenas de tecnologia, a revolução da informação libertou milhões de pessoas.

A informação é um instrumento libertador no sentido político tradicional do termo: a divulgação da informação exerce uma influência direta no grau de responsabilização e transparência de que os governos precisam para sobreviver. É também libertadora do ponto de vista econômico. As tecnologias da informação são uma forma de capital eficiente em termos econômicos. A Estônia e a Costa Rica são exemplos bastante conhecidos de como as estratégias de acesso à informação podem contribuir para acelerar a expansão da produção e elevar os níveis de renda.

Alguns dos países menos desenvolvidos, como Mali e Bangladesh, mostraram que, com apoio internacional, uma liderança determinada e estratégias inovadoras conectam regiões rurais remotas à internet e à telefonia móvel, ajudando a libertar os camponeses que vivem da agricultura de subsistência, anteriormente presos ao conhecimento local e aos mercados locais. Redes móveis oferecem serviços de assistência médica às regiões mais remotas da Índia.

Não há dúvida que a internet pode ser um instrumento de democratização. Em alguns países do mundo - e certamente na maior parte do Ocidente - ela já é isso, pois enormes quantidades de informação, agora, são acessíveis a quase todos. A dura realidade do mundo de hoje, porém, é que é possível distinguir os ricos dos pobres por suas conexões com a internet.

Na realidade, o desenvolvimento econômico dos nossos dias exige mais do que pensar apenas na linha da pobreza. É preciso pensar também em outras linhas, como a do acesso à banda larga e a de fibra ótica.

A tecnologia da informação e das comunicações é um instrumento poderoso para a solução de problemas, como subdesenvolvimento, isolamento, pobreza, falta de transparência e liberdade política. No entanto, as pessoas precisam, antes de mais nada, do acesso. A banda larga pode melhorar tudo, incluindo a gestão dos transportes à distância e a produtividade agrícola. Proporcionar esses benefícios a um número cada vez maior de pessoas exigirá recursos, cooperação internacional e vontade política. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

É EX-SUBSECRETÁRIO-GERAL DA ONU E EX-CHANCELER DA ÍNDIA

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