A longa espera terminou, dizem executivos dos EUA em Cuba

Uma espera de quatro décadas terminou, disseram entusiasmados, nesta quinta-feira, os executivos de uma empresa americana, assegurando que uma venda de alimentos a Cuba pode ser a porta de entrada para a normalização das relações entre Washington e Havana. Cuba aguarda para as próximas horas a chegada de um carregamento de 25.000 toneladas de milho, parte de um total de compras feitas pelo governo cubano, no valor de US$ 35 milhões, de empresas dos EUA, que começaram a chegar à ilha em meados de dezembro passado.Também se espera pela chegada hoje a Havana de George Ryan, governador do estado de Illinois, que, com uma visita feita à ilha em 1999, tornou-se o primeiro governador americano a ir a Cuba. Ryan, um farmacêutico aposentado, chega à frente de uma delegação de empresas americanas de produção de medicamentos que querem fazer negócios com Cuba, seguindo o caminho das empresas de alimentos. "A longa, longa espera terminou... os agricultores dos EUA finalmente têm a oportunidade de vender seus grãos a um país a apenas 90 milhas (144 km) de distância", disse Warren Staley, presidente da empresa americana Cargill, processadora e distribuidora internacional de alimentos e outros produtos e serviços.Após 40 anos de embargo e restrições comerciais de Washington a Cuba, ?hoje - acrescentou Staley em entrevista à imprensa - é um dia de esperança, a esperança de que de alguma forma este negócio de produtos alimentícios possa servir de ponte entre nossos dois países e seja um incentivo para a melhora das relações".Em um gesto sem precedentes, em novembro passado, Cuba anunciou, após a passagem do furacão Michelle pela ilha, que realizaria uma única compra de comida de empresas dos EUA, cujo Congresso autorizou tais vendas em 2000. No entanto, a lei americana manteve proibições ao financiamento dessas operações por parte dos bancos federais ou privados dos EUA.O governo do presidente Fidel Castro, que está pagando à vista e com seus próprios fundos a compra dessas toneladas de comida, disse que não descarta novas compras caso sejam levantadas as restrições aos financiamentos, entre outras condições.

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