A luta contra o terrorismo é uma obsessão dos EUA

ANÁLISE: Klaus Brinkbaumer / Spiegel

O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2013 | 02h03

Os EUA estão doentes. Os atentados de 11 de Setembro deixaram o país ferido e transtornado - isso é óbvio nestes quase 12 anos, mas apenas agora estamos descobrindo o quão grave é a doença. As ações da Agência de Segurança Nacional (NSA) expuseram mais do que apenas conversas ao telefone e as vidas digitais de milhões de pessoas. O escândalo de espionagem global mostrou que os EUA se tornaram maníacos, o país está se comportando patologicamente, de modo invasivo. Suas ações são inteiramente desproporcionais ao perigo.

Desde 2005, uma média de 23 americanos foram mortos a cada ano por atos de terrorismo, a maior parte fora dos EUA. Internamente, são 30 mil mortos por armas de fogo a cada ano. O presidente Barack Obama e o Congresso fazem pouco ou nada sobre isso. "Mais americanos morrem em consequência da queda de aparelhos de TV e outros utensílios do que por ações terroristas", escreveu Nicholas Kristof no New York Times e "um número de pessoas 15 vezes maior morre caindo de escadas".

Os EUA gastaram US$ 8 trilhões no Exército e na segurança interna desde 2001. Não que o terrorismo não exista, mas espionar cidadãos e embaixadas, empresas e aliados, é uma violação do direito internacional. Tão monstruosa e ilegal quanto a prisão de Guantánamo, onde presos, sem provas, são alimentados à força.

Isso é tão ilegal quanto os drones, lançados com aprovação de Obama. Não tem ocorrido nenhum debate a respeito. Um governo que aprova um programa como o Prism não respeita nada e ninguém. Age com onipotência, considera-se acima da lei e isso é deprimente.

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