A maior ameaça ao Taleban

Análise: William J. Dobson / Slate

O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2012 | 03h07

Mesmo num lugar onde não falta violência como o Vale de Swat no noroeste do Paquistão, onde Malala Yousafzai vive, o ataque do Taleban de terça-feira foi recebido com incredulidade. A jovem ativista paquistanesa fez fama quando começou a escrever um blog sobre a vida sob o domínio do grupo radical para a BBC quanto tinha 11 anos. Se efetivamente de recuperar, militantes do Taleban prometem tentar matá-la de novo.

E, com certeza, o farão. Uma adolescente que fala pela educação de meninas é a coisa mais aterrorizante do mundo para o Taleban. Ela não é nenhuma ativista de ONG ocidental que caiu de paraquedas no região pashtun para entregar manuais de ensino de inglês para estrangeiros. Ela é muito mais perigosa que isso: uma defensora local, viva, de progresso, educação e esclarecimento. Se as pessoas que apreciam Malala se multiplicarem, o Taleban não terá futuro.

Não se trata apenas do simbolismo de uma jovem desafiando sua visão islâmica retrógrada que deve assustar o Taleban. A substância das ideias dela também é letal. Estudos sugerem que educar meninas é a coisa mais próxima de uma solução definitiva para países que sofrem com pobreza, instabilidade e desigualdade geral - ou, em outras palavras, as condições mesmas que permitem que um grupo como o Taleban prospere. Os retornos sociais da educação de meninas nesses lugares são espantosos e consistentemente incluem um aumento da renda familiar, melhoria da nutrição infantil, menor tamanho de famílias, uma sociedade mais atuante e melhoria dos serviços locais.

Os benefícios podem ser políticos também. Uma pesquisa em 100 países revelou que meninas educadas encorajam uma sociedade mais participativa, e, com isso, tornavam esses locais mais receptivos a reformas democráticas. E países que se tornaram mais ricos, mais seguros, mais estáveis e civilmente ativos não oferecem muito futuro aos bárbaro islâmicos medievais que tentaram matar Malala. Não deveríamos nos surpreender, portanto, de ela alcançar o topo da lista deles. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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