A manhã seguinte à sucessão presidencial americana

Importância do eleitorado de centro na eleição mostra o quanto republicanos e, em menor medida, democratas têm de se afastar dos radicais

THOMAS L. FRIEDMAN, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2012 | 02h04

Prevejo duas coisas nesta eleição: uma é que o maior bloco eleitoral dos EUA - formado pelos eleitores de centro direita e de centro esquerda - vencerá. A outra é que ocorrerá uma guerra civil dentro do Partido Republicano e uma batalha menor dentro do Partido Democrata a partir do dia seguinte ao escrutínio, uma vez que cada um será obrigado a se ajustar à vitória desse bloco moderado.

No momento, está claro o quanto os EUA são um país de centro direita ou centro esquerda e como esse centro - e não os radicais - domina a eleição. A razão de o bloco de centro esquerda e centro direita dominar a votação é porque ele sabe que a única maneira de o país avançar é por meio de grandes compromissos forjados no centro.

Muito se tem escrito ultimamente sobre como, diante dos dois candidatos, seria melhor eleger Mitt Romney, que, aparentemente, conseguiria controlar os malucos do seu partido para firmar grandes compromissos dos quais o país precisa. Ou que, elegendo Obama, teríamos mais paralisação. Não concordo com isso por duas razões. Em primeiro lugar porque significa dizer que, como os republicanos da extrema direita conseguiram obstruir as propostas de Obama em muitas frentes e mantiveram a economia refém, devemos deixar que eles governem porque, do contrário, repetirão tudo de novo. Isso só conduzirá os democratas a um comportamento igual, o que nos levaria a lugar nenhum.

Também não aceito esse argumento porque acho que os republicanos foram muito mais para a direita do que os democratas para a esquerda. Não acredito que Romney conseguirá dominar a base republicana radical sem fazer concessões em vários assuntos, como o ambiental, a Suprema Corte e a política externa, que não são interesses de longo prazo do país.

Acho que a melhor coisa para a nação hoje seria os republicanos perderem a presidências duas vezes consecutivas, como ocorreu com os democratas na época de Ronald Reagan, e então terem de passar pelo mesmo tipo de reexame e reformas que os democratas precisaram sob Bill Clinton, que empurrou seu partido consistentemente para o centro. Os partidos aprendem com a derrota, não com a vitória, especialmente duas derrotas consecutivas.

Com certeza, na manhã após a derrota nas urnas, os republicanos radicais enfurecidos começarão, mais do que nunca, a tentar obstruir Obama. Não temo isso. Porque, na manhã depois da eleição, governadores, prefeitos e empresários republicanos verão onde o país realmente está e, finalmente, farão o que é necessário: ou eles se trituram ou se separam da base radical. Um verdadeiro Partido Republicano de centro direita forçará os democratas a travar sua própria guerra civil, que será intensa e inevitável, para criarmos grandes compromissos de que o país claramente necessita. / TRADUÇÃO TEREZINHA MARTINO  *É COLUNISTA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.