A manifestação que mudou o Egito

A revolta que abala o Egito não começou no Cairo, mas em Mahallah, cidade de indústrias têxteis e fortemente poluída, entre campos de algodão e hortaliças no Delta do Nilo. Os 32 mil trabalhadores dos centros têxteis estatais e de dezenas de milhares de outras fábricas particulares menores são a alma do movimento trabalhista egípcio.

Timothy M. Phelps, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2011 | 00h00

Seus líderes são notórios por não temer perseguições ou prisões.

Um protesto nacional contra a alta do preço dos alimentos, desemprego e tortura pelas forças policiais país explodiu com violência na cidade em 2008, inspirando um movimento juvenil que acabou marcando os protestos pela derrubada de Hosni Mubarak. Enquanto as notícias dos protestos se espalhavam pelo país nesta semana, os líderes dos trabalhadores em Mahallah afirmaram que a melhora do padrão de vida já não basta.

"Nosso slogan agora não é só reivindicações trabalhistas", disse o ferroviário Mohamad Murad, coordenador sindical e político de esquerda. "Agora, queremos mudanças."

Há pouco tempo, uma manifestação que reunisse várias centenas de pessoas era considerada grande no Egito. A polícia se encarregava de cuidar para que ela não escapasse do controle. Mas em 6 de abril de 2008 o movimento de Mahallah tornou-se conhecido em todo o país graças aos vídeos postados no YouTube, Facebook e outras mídias sociais. Depois que a polícia abriu o fogo e matou duas pessoas, os manifestantes promoveram atos de violência nas ruas, incendiando prédios, saqueando lojas e atirando pedras contra os soldados.

Mas o aspecto mais significativo foi que os manifestantes rasgaram e pisotearam um cartaz gigantesco de Mubarak na praça central, algo raro num país no qual o respeito pelo líder é promovido por um aparato de segurança cujos tentáculos chegam a cada quarteirão.

"Esse levante foi o primeiro a romper a barreira do medo em todo o Egito", disse Murad. "Ninguém poderá dizer que o Egito foi o mesmo dali em diante." / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

É REPÓRTER DO "LOS ANGELES TIMES"

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