Mark Makela/REUTERS
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Com apuração em andamento, manifestações sobre o sistema eleitoral ocorrem em diversos Estados

Grupos pró-Biden pedem contagem de todos os votos; defensores de Trump insinuam fraude

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2020 | 09h41
Atualizado 05 de novembro de 2020 | 17h43

FILADÉLFIA - Um segundo dia de manifestações sobre a integridade da eleição presidencial dos EUA começou nesta quinta-feira, 5, na Filadélfia e em outras cidades, enquanto a contagem de votos se arrastava em Estados que decidirão o resultado.

Apoiadores de Joe Biden se uniram em torno do slogan "conte todos os votos", acreditando que uma apuração completa mostraria que o candidato democrata havia derrotado o presidente republicano Donald Trump. Apoiadores ardentes de Trump responderam com gritos para "proteger o voto" em apoio aos esforços de sua campanha para que algumas categorias de cédulas, incluindo parte das que foram enviadas por correio, sejam descartadas.

Ambos os grupos apareceram do lado de fora de um centro de contagem de votos na Filadélfia na manhã de quinta-feira, onde a equipe eleitoral trabalhou constantemente para determinar se Biden ou Trump leverão os 20 votos cruciais do colégio eleitoral da Pensilvânia.

Um grupo de apoiadores de Trump segurava bandeiras e cartazes de Trump-Pence dizendo: "A votação pára no dia da eleição" e "Desculpe, as urnas estão fechadas". Do outro lado da rua estavam os apoiadores de Biden, que dançavam atrás de uma barricada. Manifestações semelhantes estão programadas para o final do dia em Harrisburg, capital da Pensilvânia.

"Não podemos permitir que os contadores de cédulas sejam intimidados", disse Bob Posuney, um assistente social aposentado que apoia Biden, vestindo uma camiseta "conte todos os votos".

Um grupo que se autodenomina Bikers for Trump se reuniu em frente ao centro de convenções da Filadélfia. "Acho que a fraude eleitoral é sistêmica", disse Chris Cox, um dos membros. Vários estudos concluíram que cédulas ilegítimas são extremamente raras nos Estados Unidos.

Embora a contagem já tivesse sido concluída em Michigan, com projeções de vitória de Biden, algumas dezenas de apoiadores de Trump agitaram bandeiras e placas do lado de fora de um centro de contagem de Detroit. A certa altura, um apoiador de Trump começou a gritar com um democrata negro por causa do histórico de Trump nas questões raciais enquanto a polícia observava.

Elizabeth Fohey, uma odontologista aposentada de 74 anos de Troy, Michigan, disse que não acredita que as autoridades eleitorais estejam contando todos os votos conservadores. Ela afirmou que os candidatos republicanos não tiveram permissão para entrar no centro de contagem de Detroit, o que não é verdade.

"Minha mensagem é que a votação seja feita corretamente", disse ela, vestindo um blusão com a bandeira dos EUA. "Estou trabalhando pelo meu país, para mantê-lo livre e seguro."

Em Wisconsin, Bobbie Dunlap, trabalhadora de tecnologia da informação que mora na cidade de Gênova, reclamou que votou pessoalmente em Trump no dia da eleição, mas seu voto ainda não foi marcado como processado no site de Wisconsin, embora a contagem ainda esteja em andamento no Estado.

"Estamos organizando uma marcha pacífica na capital para pedir uma auditoria completa das eleições aqui em Wisconsin", disse ela.

A campanha de Trump pediu uma recontagem em Wisconsin. Em Washington, uma procissão de carros e bicicletas, patrocinada por ativistas de um grupo denominado Shutdown DC, desfilou lentamente pelas ruas da capital para protestar contra "um ataque ao processo democrático" por parte de Trump e seus "facilitadores", segundo seu site.

A maioria das manifestações em cidades ao redor do país foram pacíficas e pequenas - às vezes totalizando apenas algumas dezenas de pessoas com placas no centro da cidade - já que o caminho de Biden para a vitória parece um pouco mais possível do que o de Trump, embora ambos os resultados continuem possíveis. Na quarta-feira, algumas manifestações levaram a confrontos com a polícia. As manifestações foram desencadeadas em parte pelos comentários de Trump após o dia da eleição, em que ele exigiu que a contagem de votos parasse e fez alegações conspiratórias infundadas sobre fraude eleitoral.

As polícias das cidades de Nova York, Denver, Minneapolis e Portland relataram ter prendido alguns manifestantes, muitas vezes sob a acusação de bloquear o tráfego ou delitos semelhantes. No segundo andar da State Farm Arena de Atlanta, os funcionários eleitorais do condado se sentaram em seis mesas processando continuamente alguns milhares de cédulas restantes na manhã de quinta-feira, alguns parando apenas para pedir café.

Alguns observadores republicanos e democratas tomaram notas enquanto as autoridades classificavam cada lote de 400 cédulas, uma por uma, garantindo que as assinaturas de envelopes e cédulas combinassem.

Na esperança de evitar multidões no dia da eleição durante a pandemia do coronavírus, mais de 100 milhões de americanos enviaram cédulas antecipadas por correio durante a votação deste ano, um número recorde.

A contagem em Atlanta foi muito mais tranquila do que em Phoenix, onde uma multidão de apoiadores de Trump, alguns armados com rifles e revólveres, se reuniram em frente a um centro de contagem na quarta-feira.

Primeiro dia

No primeiro dia após a votação,  manifestantes marcharam pelas ruas de várias cidades americanas pedindo que os funcionários "contassem todos os votos".

Em Minneapolis, os manifestantes bloquearam uma rodovia. Em Portland, centenas se reuniram na orla para protestar contra as tentativas de intervenção do presidente na contagem de votos, enquanto um grupo separado protestando contra a polícia e pedindo justiça racial surgiu no centro da cidade, quebrando vitrines e confrontando policiais e tropas da Guarda Nacional.

Os manifestantes também se reuniram na Filadélfia, Los Angeles, Chicago e outros lugares, alguns deles continuando os protestos sobre justiça racial e policiamento que abalaram o país desde a morte de George Floyd pela polícia em Minneapolis em maio. Mais manifestações foram programadas para os próximos dias. /REUTERS E NYT

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