A mulher que receberá US$ 28 bilhões da Philip Morris

Um tribunal de Los Angeles condenou ontem a Philip Morris a pagar uma indenização recorde de US$ 28 bilhões a uma mulher de 64 anos que contraiu câncer de pulmão. Ela alega que a fabricante de cigarros não a alertou adequadamente sobre os riscos de fumar. As ações da empresa, que vai recorrer da decisão, caíram para o mais baixo nível desde dezembro de 2000 na Bolsa de Nova York. Esta é a maior indenização individual num processo desse tipo nos Estados Unidos. Os US$ 28 bilhões foram estipulados levando em conta o valor de mercado da Philip Morris, estimado em US$ 83,4 bilhões. O recorde anterior, de US$ 3 bilhões, beneficiou Richard Boeken, morador de Los Angeles, no ano passado. Mais tarde, a indenização foi reduzida para US$ 100 milhões. Boeken, dependente de heroína, morreu de câncer em janeiro deste ano. Em julho de 2000, um tribunal da Flórida ordenou o pagamento de uma indenização de US$ 144,8 bilhões a um grupo de ex-fumantes daquele Estado. No momento, está sendo julgado um recurso em tribunal superior. A beneficiária da indenização de US$ 28 bilhões é Betty Bullock, moradora de Newport Beach, Califórnia. Na fase anterior do processo, o tribunal havia condenado a Philip Morris a pagar à reclamante US$ 850 mil por fraude e negligência. Betty Bullock começou a fumar aos 17 anos. Ela teve câncer no pulmão no ano passado, e este ano foi diagnosticada metástase no fígado. Ela alegou que a Philip Morris ocultou dos consumidores de seus produtos a informação de que há um vínculo entre o vício de fumar e o câncer. Betty disse ter acreditado nas informações divulgadas pela empresa, no passado, de que não havia prova de que o vício de fumar causava câncer, apesar das evidências em contrário apresentadas por médicos. O advogado de Betty Bullock, Michael Piuze - o mesmo de Richard Boeken -, acusou a Philip Morris de ter consumado a maior fraude da história das grandes corporações ao esconder os perigos do cigarro por meio de "uma ampla campanha de desinformação" iniciada na década de 50. Por sua vez, a empresa tentou uma nova estratégia processual. Em vez de se defender das acusações, ela responsabilizou a reclamante por sua decisão de fumar. "Se ela tivesse parado de fumar na década de 80, hoje não teria câncer no pulmão", disse um dos avogados da companhia, Peter Bleakley. A indenização para Betty Bullock é a primeira estipulada desde que o Tribunal Superior do Estado da Califórnia decidiu, em 5 de agosto, isentar de indenizações os fabricantes de cigarros por atos ocorridos entre 1988 e 1997. Nesse período, uma lei estadual protegia as empresas de pagar indenizações pelo uso de produtos cuja periculosidade não tivesse sido estabelecida. Acredita-se que a Philip Morris vá se apegar a essa decisão ao apresentar seu recurso judicial. Grupos antitabagistas consideraram a decisão do caso Betty Bullock "uma tremenda vitória para a saúde pública".

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