A necessidade de sanções mais duras contra Damasco

Condenação da violência pelo Conselho de Segurança não persuadiu Assad a mudar de conduta

George A. Lopez, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2011 | 00h00

Rigorosas medidas coercitivas contra o regime sírio são agora justificáveis diante do bombardeio indiscriminado contra civis na cidade portuária de Latakia por navios de guerra. A repressão contra manifestantes predominantemente pacíficos continua mesmo depois do envio de várias missões diplomáticas e significativas condenações regionais, que fracassaram na tentativa de convencer o presidente Bashar Assad a interromper seus ataques. De fato, a condenação da violência manifestada em uma declaração do Conselho de Segurança (CS) no dia 3 não persuadiu Assad a mudar de conduta.

 

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Se o CS não decidir pela imposição de sanções, a tarefa recairá sobre uma ampla coalizão de membros da ONU, liderada pelos EUA e União Europeia. Eles precisam impor duras sanções capazes de fortalecer e ampliar significativamente aquelas que já foram impostas - afetando também as exportações sírias de gás e petróleo. Os países que discordarem das sanções (a Rússia, provavelmente) podem afirmar - com razão - que esse tipo de castigo nunca foi capaz de derrubar um ditador suficientemente determinado. Mas não deve ser este o objetivo de sanções multilaterais. Em vez disso, um conjunto coordenado de intensas medidas coercitivas pretende produzir dificuldades financeiras em níveis cada vez mais profundos da rede de apoio de Assad. Elas restringiriam sua capacidade de remunerar e recompensar os envolvidos nos ataques e prejudicariam o fornecimento de munição e armas às forças de segurança. Sanções levaram a uma severa limitação do poder de fogo de Muamar Kadafi e à deserção das elites líbias. Também ajudaram a proteger cidadãos em guerras internas travadas na Costa do Marfim, Serra Leoa e Libéria.

Por que as sanções podem funcionar no caso da Síria Neste caso, em particular, as sanções apresentam uma probabilidade especialmente alta de erodir as capacidades repressivas do governo. Em primeiro lugar, a deterioração econômica, a dificuldade de acesso aos bancos estrangeiros e as restrições às viagens criam novas condições nas quais os atores internos da Síria começarão a pesar mais diretamente os custos e benefícios de manter a lealdade ao regime.

Em segundo, as Forças Armadas sírias estão começando a sentir os efeitos da sua diluição geográfica e podem se mostrar vulneráveis a interrupções no fornecimento logístico. Finalmente, os manifestantes vão se fortalecer com medidas deste tipo. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

THE CHRISTIAN SCIENCE MONITOR

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