A neve do Kilimanjaro está derretendo

A camada de gelo que recobre o monte Kilimanjaro, na Tanzânia, poderá derreter totalmente em 20 anos caso o aquecimento global continue no ritmo atual pelas próximas décadas. O alerta partiu de Lonnie Thompson, professor de Ciências Biológicas da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos. As primeiras conseqüências do derretimento da neve do Kilimanjaro, segundo ele, já são previsíveis: crise no abastecimento de água potável, diminuição da irrigação das lavouras e colapso na geração de energia elétrica. Thompson baseou-se em investigações científicas feitas nas mais importantes cadeias montanhosas do mundo. Segundo ele, em relação a registros feitos em 1962, o Kilimanjaro - montanha mais alta da África, com 5.895 metros - perdeu 20% de seu cume de gelo. "No caso deste monte, o degelo causa outro problema: ele é a maior fonte de receitas finaceiras da Tanzânia. Anualmente, perto de 20 mil turistas o visitam. Afinal, o gelo que cobre o Kilimanjaro oferece uma paisagem européia numa região apenas três graus ao sul da linha do Equador", frisa o professor, que há 20 anos estuda geleiras em áreas tropicais. Entre as causas do problema, que segundo Thomson também está atingindo os Andes peruanos, está a crescente industrialização do planeta, que eleva as temperaturas. "O degelo das montanhas é uma clara mostra de que este fenômeno começou a deixar suas marcas", acredita Thompson.

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