Doug Mills/The New York Times
Doug Mills/The New York Times

A nova ameaça jurídica contra a Casa Branca

Enquanto Trump tenta driblar as investigações do FBI sobre a interferência russa na campanha eleitoral de 2016, outra ameaça jurídica paira sobre a Casa Branca: a denúncia contra a Fundação Donald J. Trump

Helio Gurovitz , O Estado de S.Paulo

08 Julho 2018 | 05h00

Enquanto Donald Trump tenta driblar as investigações do FBI sobre a interferência russa na campanha eleitoral de 2016, outra ameaça jurídica paira sobre a Casa Branca: a denúncia da Procuradoria-Geral de Nova York contra a Fundação Donald J. Trump, num processo de natureza civil.

O caso foi revelado ainda antes da eleição pelas reportagens que valeram o Pulitzer ao jornalista David Farenthold, do Washington Post. Ele descobriu que o dinheiro da fundação foi usado em reformas de hotéis de Trump, na compra de pinturas com a imagem dele e para financiar atividades da campanha eleitoral.

Em audiência no final de junho, a juíza Saliann Scarpulla afirmou aos advogados que a família Trump deveria aceitar imediatamente as sanções propostas pela procuradora Barbara Underwood, tamanhas são as evidências de uso do dinheiro da fundação para enriquecimento privado e fins eleitorais. Entre as testemunhas essenciais para desvendar as falcatruas está Allen Weisselberg, executivo que cuida há décadas das finanças da família e é considerado o melhor conhecedor dos negócios de Trump.

 

Repúdio a Bibi pelo apoio à Polônia

Na tentativa de reparar o dano de imagem provocado pela Lei do Holocausto aprovada em janeiro, o governo da Polônia retirou dela o parágrafo que continha sanções criminais a quem atribuísse ao Estado ou à “nação polonesa” qualquer responsabilidade pelo extermínio de judeus na 2.ª Guerra e proibia a expressão “campo de extermínio polonês”. Obteve apoio do primeiro-ministro israelense, Binyamin Bibi Netanyahu, numa declaração conjunta publicada em jornais de todo o mundo. O repúdio ao documento uniu campos políticos opostos dentro e fora de Israel, como mostra o quadro: 

"As afirmativas históricas contêm erros graves e distorções. A essência da lei permanece, mesmo depois das mudanças. Minimizar o papel dos poloneses nas perseguições aos judeus é um insulto não só à verdade histórica, mas também à memória do heroísmo dos justos” 

Yad Vashem

MUSEU DO HOLOCAUSTO, RESPONSÁVEL POR OUTORGAR A 6.620 POLONESES QUE SALVARAM JUDEUS DO NAZISMO O TÍTULO DE “JUSTOS ENTRE AS NAÇÕES” 

 

“Manobra cínica, cujo objetivo era dar ao governo nacionalista polonês um ‘certificado de respeitabilidade’” 

Jan Grabowski

HISTORIADOR POLONÊS, AUTOR DE ‘CAÇA AOS JUDEUS’, LIVRO QUE DOCUMENTA A COLABORAÇÃO DA POPULAÇÃO POLONESA COM OS NAZISTAS 

 

“Duzentos mil judeus foram mortos por poloneses no Holocausto, e Netanyahu assina uma declaração que limpa o nome  

dos poloneses?” 

Yair Lapid

LÍDER DO PARTIDO OPOSICIONISTA ISRAELENSE DE ORIENTAÇÃO SECULAR HÁ FUTURO 

 

“Uma desgraça repleta de mentiras. A realidade histórica é que a ajuda de poloneses a judeus foi um fenômeno relativamente raro, enquanto o ataque era disseminado” 

Naphtali Bennett

MINISTRO DA EDUCAÇÃO DE NETANYAHU E LÍDER DO PARTIDO RELIGIOSO DE DIREITA CASA JUDAICA

 

Nem no restaurante Pruitt tinha paz

Dias antes de renunciar à presidência da Agência de Proteção Ambiental (EPA) – alvo de denúncias por abuso de poder e desvio de dinheiro público –, Scott Pruitt fora abordado num restaurante de Washington pela professora Kristin Mink, de 33 anos, com o filho de colo: “Este é meu filho. Ele ama animais, ar limpo, água limpa. Queria exigir que o senhor renuncie por tudo o que tem feito ao meio ambiente no país”. Kristin citou fatos e acusações contra Pruitt, filmou tudo e publicou na internet.

 

‘Fake news’ é pior que racismo, diz pesquisa

O público americano rejeita mais as “fake news” que conteúdo racista, antissemita ou supremacista, revela uma nova pesquisa do Freedom Forum. Para 83%, as redes sociais deveriam remover informações falsas; para 72%, discurso de ódio; para 68%, ataques pessoais. Quase metade dos entrevistados acredita que o governo deve obrigá-las à remoção.

 

Berners-Lee quer agora consertar a web

O criador da World Wide Web, Tim Berners-Lee, reconhece que sua invenção, apesar de atingir metade da população global, fracassou. A centralização do poder nas gigantes do Vale do Silício resultou, diz ele, num ambiente anti-humano. Para tentar consertá-lo, Berners-Lee trabalha agora no projeto Solid, cujo objetivo é descentralizar a rede, garantir ao internauta controle sobre os próprios dados e sobre o conteúdo que produz – e recuperar o espírito democrático dos primórdios da internet.

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