Pascal Lachenaud/Pool Photo via AP
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Gilles Lapouge
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A nova primeira-dama da França

Brigitte começou a ser primeira-dama da França no primeiro dia de campanha

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2017 | 05h00

No domingo, a França ganhou um novo presidente. E mais: ganhou também uma primeira-dama. Dito assim, parece óbvio: quando se elege um “primeiro-senhor”, no pacote vem também uma primeira-dama. Mas, na verdade, uma primeira-dama é mais difícil de se ter do que um presidente.

Vejamos os dois últimos eleitos. Nicolas Sarkozy chegou ao Eliseu em 2007 com uma mulher, Cecilia. Perfeito. Mas Cecilia logo se aborreceu no palácio, encontrou um belo jovem e se mandou. Sarkozy ficou furioso. Como é um homem de ação, procurou outra mulher. Arranjou uma depressinha e casou-se com ela. É a magnífica Carla Bruni.

Em 2012, François Hollande conquistou o Eliseu. Não era jovem e tinha um andar de pato. Tudo sem surpresas, então, certo? Calma! Hollande tinha uma amante, Valérie, que começou a atuar ruidosa e atabalhoadamente como primeira-dama. Foi despachada. Hollande ficou solteiro de novo, mas não por muito tempo. À noite, ele pegava uma moto para cair nos braços de uma belíssima atriz. Escândalo. A atriz sumiu do mapa, mas Hollande é matreiro e acredita-se que nunca parou de vê-la.

Macron parece seguir um modelo mais sóbrio. É casado com Brigitte, que conheceu no colégio quando ele tinha 15 anos. Um simples namoro de adolescente? Não exatamente, pois Brigitte era sua professora e tinha 39 anos. Pegou mal na família Macron, mas Emmanuel não cedeu. Os dois se amavam e ganharam a parada. Macron, de quebra, levou os três filhos e sete netos da divorciada Brigitte. Ele é mais moço que alguns filhos dela. E tudo vai maravilhosamente bem.

Muitos criticam Macron por ser certinho demais, perfeito demais, burguês demais. Talvez, mas não acho que alguém que se case com a professora 24 anos mais velha seja uma pessoa comum. Brigitte entrou em nossa vida quase na mesma ocasião em que o marido saía da obscuridade, um ano e meio atrás. Não há foto na Paris Match ou na Elle em que Macron não esteja acompanhado da mulher, de preferência, abraçados e olhos nos olhos.

Ela começou a ser primeira-dama desde o primeiro dia da campanha. Trabalhou ao lado de Macron no mesmo ritmo frenético da equipe do agora presidente. Não se podia imaginar Macron sem Brigitte. Ela ensaiava o papel de primeira-dama no relacionamento conjugal, preparando drinques ou participando de entrevistas. Tomava iniciativas: entregou o filme de seu casamento a um jornalista.

Não faltaram, claro, as gozações sobre a diferença de idade. Mas Macron e ela já haviam enfrentado, imperturbáveis, o sarcasmo das famílias e da burguesia de Amiens. Em campanha, Brigitte era dura. Quando Macron falava no rádio ou aparecia na TV, ela dava seu veredicto: “Você foi bem” ou “saiu-se mal”. E tudo terminava num beijo.

Para se impor no festival de más línguas que ocorre numa campanha eleitoral, Brigitte contou com dois trunfos: uma inteligência aguda e seu fascínio pessoal. As revistas femininas se esbaldam com ela. Ficamos sabendo que seu cabelo é “louro Califórnia”, seus olhos são azuis penetrantes, sua pele é ensolarada e sua cintura é de vespa. Que tem olhar cintilante e longas pernas. Segundo artigos de Elle e Marie Claire, Brigitte tem um “look Canon” – acho que significa ser bonita.

Essa é a primeira-dama. Imagina-se que a união do casal seja sólida como bronze. Mas quem imaginaria que o intrépido Hollande saía de noite do palácio feito um gato, de moto, para namorar? Entretanto, eu aposto: vamos passar os próximos cinco anos em companhia de Emmanuel Macron e da primeira-dama, Brigitte. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

*É CORRESPONDENTE EM PARIS

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