Jonathan Ernst/Reuters
Jonathan Ernst/Reuters

A novela de Trump e a falsa previsão da passagem do Dorian pelo Alabama

Para defender sua tese de que o furacão Dorian causaria danos no estado do Alabama, o presidente dos EUA até mostrou mapa com um círculo feito a caneta para aumentar área de impacto

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2019 | 15h52

WASHINGTON - Enquanto o furacão Dorian atingia os estados da Carolina do Norte e Carolina do Sul na quinta-feira, 5, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou novamente as atenções para o estado do Alabama.

O presidente apresentou na quarta-feira, 4, um mapa oficial expedido pela Administração Oceânia e Atmosférica Nacional, com a rota do Dorian. Além do mapa estar desatualizado, com previsões feitas uma semana antes da chegada do furacão aos EUA, um detalhe chamou atenção: um círculo desenhado a caneta que expandia a área de passagem do furacão, englobando o Alabama como um dos estados atingidos.

O círculo no mapa foi feito após Trump tuítar, ainda no domingo, que o Alabama estaria entre os estados que provavelmente seriam atingidos “mais forte do que o previsto”. O Serviço Nacional do Clima refutou o dado 20 minutos depois da postagem.

“O Alabama NÃO verá quaisquer impactos do Dorian. O sistema ficará muito ao leste”, escreveu em resposta a Trump. 

A afirmação, falsa, foi defendida com unhas e dentes por Trump. Durante a semana, ele publicou nove tuítes em seu perfil e cinco mapas sobre a relação do Alabama com o Dorian. Ele considerou o mapa adulterado e desatualizado do furacão como o oficial. E ainda fez a Casa Branca emitir uma nota defendendo seus alertas errôneos de que o Alabama iria “pegar um pedaço” do furacão.

A imprensa também não escapou das críticas de Trump, que atacou jornalistas por contestarem a veracidade do mapa. Nesta sexta, 6, o presidente dos EUA sugeriu que a imprensa deveria se desculpar por desacreditá-lo durante a semana, acusando a mídia de espalhar “fake news”.

Desde domingo, a previsão oficial do Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês), já apontava uma rota para o Dorian em direção nordeste, passando pela Flórida e pela Carolina do Sul e do Norte. As Carolinas entraram em estado de alerta na segunda-feira. 

A fixação de Trump no seus alertas errôneos do Dorian compõem um longo histórico de defesa de argumentações não precisas, desde o tamanho da multidão em seu discurso inaugural na presidência a afirmações falsas de fraude eleitoral na eleição de 2016 cometida por “desconhecidos do Oriente Médio” que estariam cruzando a fronteira sul dos EUA em caravanas de imigrantes.

De acordo com um funcionário da Casa Branca, que falou sob condição de anonimato, foi o próprio Trump quem utilizou uma caneta da marca Sharpie, sua preferida, para desenhar o círculo extra sob o Alabama. A movimentação foi apelidada de “SharpieGate” por usuários das redes sociais.

“Ninguém mais escreve desse jeito em um mapa com uma Sharpie preta”, disse o servidor sobre o mapa adulterado. Diversos funcionários da Casa Branca argumentaram que a cobertura da imprensa sobre a questão do Alabama tem sido injusta a Trump, mas um oficial sênior da presidência disse que “contanto que esteja na imprensa, ele não vai dar para trás”.

Um dos conselheiros de Trump, Peter Brown, ficou responsável por fornecer atualizações sobre o Dorian para o presidente durante o fim de semana.

Na quinta-feira, em nota, Brown disse que havia informado Trump sobre o avanço Dorian no domingo de manhã, utilizando informações do Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês), que mostravam uma remota possibilidade de ventos de tempestade tropical na ponta sudeste do Alabama. / W. POST

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