A Otan precisa reconhecer a própria envergadura

Cenário: The Christian Science Monitor

O Estado de S.Paulo

19 Maio 2012 | 03h01

Vinte anos atrás, a aliança militar mais bem-sucedida do mundo estava se gabando dos próprios feitos. A Otan tinha acabado de facilitar a derrocada do império soviético, trazendo com isso uma súbita expansão de democracias e economias de mercado. Mas, neste fim de semana, quando os 28 países-membros da aliança se reunirão em Chicago, esse marco defensor da liberdade parece agora um pouco perdido quanto a seu propósito e exaurido pelos problemas de endividamento e pelas divisões políticas da União Europeia e dos EUA.

Mas a Otan não precisa se sentir assim. As democracias ainda precisam se manter unidas, caso contrário, padecerão separadas. Como nos ensinou o século 20, sua melhor defesa da liberdade é a continuidade da expansão do clube das democracias contra qualquer força sombria que surgir - seja o comunismo, o fascismo ou, mais recentemente, o terrorismo islâmico.

A Otan tem até um papel a desempenhar no sentido de garantir que Moscou não volte a ocupar territórios estrangeiros, como ocorreu quatro anos atrás quando os russos assumiram dois enclaves na Geórgia. E a recente ameaça russa de atacar preventivamente um escudo antimísseis proposto pela Otan é motivo o suficiente para manter a aliança forte.

Até o dia em que o Conselho de Segurança da ONU for composto apenas por democracias, o mundo ainda precisará de uma Otan que tenha como base os princípios comuns da liberdade e dos direitos civis. Tais valores aproximam países da Otan, seja como aspirantes a membros ou como defensores das missões da aliança. A Sérvia, antes beligerante, mostra-se agora ansiosa por participar. E o fato de a Turquia pertencer há tanto tempo ao grupo pode ser um dos motivos pelos quais o país não foi arrastado para uma autocracia islâmica.

Essas forças precisam ser lembradas quando a Otan se reunir nos EUA pela primeira vez em 13 anos em meio a um dos maiores cortes nos gastos americanos com a Defesa em toda a história.

Os EUA continuam a ser a força militar dominante na Otan. As alianças precisam de constantes incentivos ao moral para garantir que todos contribuam. Por mais difícil que seja colocar dinheiro na mesa em Chicago, tal gesto ajudará a unir a aliança para o próximo desafio mundial, seja ele qual for. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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