A parceria da UE com o Brasil

Cúpula aproxima a Europa da única economia emergente com a qual o bloco ainda não tinha um diálogo estruturado

José Manuel Durão Barroso, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2010 | 00h00

ESPECIAL PARA O "ESTADO"

Na quarta cúpula com a União Europeia, o Brasil está em situação privilegiada. Sua economia foi uma das primeiras a sair da crise mundial e cresce de modo sustentado. A pobreza diminui e a classe média cresce. Hoje, o País está em franca expansão. Para um europeu, como eu, com forte ligação afetiva com o Brasil, isso é motivo de satisfação.

Em 2004, no início de minhas funções como presidente da Comissão Europeia, o Brasil era a única das grandes economias emergentes com quem a UE não tinha uma diálogo estruturado. Decidi que o estabelecimento de uma parceria estratégica com o Brasil seria uma das prioridades do meu mandato. O objetivo foi concretizado em julho de 2007. Desde então, temos reforçado as relações bilaterais.

Na cúpula, UE e Brasil discutem grandes temas globais, como a reforma do sistema financeiro, o aprofundamento do comércio e a luta contra as mudanças climáticas. A ideia é reforçar a colaboração com o Mercosul, assim como a cooperação bilateral com o avanço do Plano de Ação de Parceria Estratégica. O diálogo institucionalizado e a profundidade de nossas relações são a melhor forma de marcar o meio século de relações entre o Brasil e a Comunidade Europeia.

A parceria estratégica demonstra nosso interesse na relação com o Brasil. No mundo multipolar do século 21, as responsabilidades devem ser partilhadas . Está na hora de o Brasil ocupar seu lugar nas organizações mundiais. A arquitetura institucional global deve refletir as novas realidades geopolíticas sob pena de não estar adequada ao novo século.

Crise. As responsabilidades do Brasil não resultam apenas de seu crescimento econômico. São também fruto da consolidação de sua democracia e de seu papel como líder regional. Hoje, o Brasil é um motor de vários processos de cooperação regional e uma referência política global, estando entre as maiores democracias do mundo. Infelizmente, há ainda muitos países cujos cidadãos não têm liberdade, que olham para o Brasil e para a Europa como símbolos de esperança.

Sei que há apreensão quanto à conjuntura econômica da UE. Existem problemas, é certo, mas a situação não é mais difícil aqui do que em outras partes do mundo. A UE sairá mais forte da crise.

A UE tem o maior PIB do mundo, é a maior potência comercial mundial, lidera no plano tecnológico e da inovação. O euro é a segunda moeda global e temos um mercado em expansão.

O grande alargamento do bloco, entre 2004 e 2007, aumentou a UE de 15 para 27 países. O bloco hoje é um espaço de 500 milhões de pessoas com uma renda média de US$ 30 mil per capita.

Na Europa, as crises sempre serviram para aprofundar o projeto europeu. Por trás de uma Europa em crise, há sempre uma Europa em renovação. A Europa está reformando seu modelo de economia social de mercado para responder à competitividade global.

A minha confiança na Europa e o otimismo que vejo no Brasil levam-me a falar da nossa relação bilateral como uma parceria de futuro. Uma parceria para ajudar a construir um mundo mais livre, justo e próspero, onde todas as vozes têm o direito de se fazer ouvir. Não só as dos governos, mas também as dos cidadãos.

É PRESIDENTE DA COMISSÃO EUROPEIA

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