REUTERS/Fabrizio Bensch
REUTERS/Fabrizio Bensch

‘A política de imigração ilegal de Merkel fracassou’

Extrema direita alemã afirma que comunidade islâmica no país deve começar a se manifestar contra os terroristas

Entrevista com

Ronald Glaser, deputado regional e porta-voz do partido Alternativa para a Alemanha

Guilherme Conte, especial para O Estado / Berlim, O Estado de S.Paulo

25 Dezembro 2016 | 05h00

BERLIM - O atentado em Berlim foi imediatamente usado pelos partidos de extrema direita na Alemanha para atacar a política de refugiados da chanceler Angela Merkel. Frauke Petry, uma das principais líderes do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), que neste ano foi criticada por dizer que a polícia alemã deveria atirar nos refugiados que tentam entrar ilegalmente no país, afirmou em declaração no Facebook que Merkel falha na obrigação de manter a Alemanha segura.

O Estado conversou com Ronald Glaser, porta-voz da AfD em Berlim e, desde outubro, um dos 25 deputados da sigla no Parlamento estadual da capital. A seguir, a entrevista.

Como vocês veem o recente atentado em Berlim no contexto da discussão sobre imigração?

A política de imigração em massa ilegal de Angela Merkel fracassou. Nós precisamos voltar ao direito e à lei.

Quais foram os grandes erros que foram feitos? E quais foram os acertos?

As fronteiras foram por anos ficando mais esburacadas, até que em setembro de 2015 foram definitivamente abertas para todos. Para todos? Não. Um ucraniano, japonês, brasileiro ou australiano normal precisa apresentar uma pilha de papéis quando quer ficar aqui por um tempo maior. Os que viajam legalmente enfrentam cada vez mais obstáculos. Mas os imigrantes econômicos do mundo árabe precisam apenas jogar fora seus passaportes e declarar que são sírios para desfrutar de um dos sistemas sociais mais generosos do mundo. Isso é perverso.

Quais são, na visão da AfD, as medidas mais importantes a serem tomadas?

Fechamento de fronteiras, deportação de criminosos e fanáticos, e incentivos para a extinção da imigração ilegal.

Uma grande crítica feita aos que se opõem aos muçulmanos afirma que os refugiados também são vítimas do terrorismo, mas acabam vistos como terroristas. Como vocês avaliam isso?

Se eles são vistos aqui como terroristas, deveriam trabalhar a própria imagem. Quase nunca um atentado foi frustrado por um compatriota ou irmão de fé. Foram quase sempre cidadãos alemães que conseguiram impedir os terroristas. As comunidades de imigrantes são, na melhor das hipóteses, indiferentes. Nos piores casos, acobertam as ações da sua gente. Na segunda-feira, na Breitscheidplatz (onde ocorreu o atentado, na zona oeste de Berlim), jovens árabes entusiasmados gritaram “Allahu Akbar” (“Deus é o maior”), em frente à cena do crime. Foram presos pela polícia. Essas pessoas estão próximas do Estado Islâmico (EI) e celebram seus ataques, enquanto políticos alemães e canais de TV estatais ainda tratam como se isso fosse um acidente. Aqueles que realmente estão fugindo do EI devem pelo menos ter abrigo temporário aqui. 

Que papel os muçulmanos que vivem atualmente na Alemanha podem desempenhar na construção de um país mais seguro e pacífico?

Se eles querem se integrar, poderiam começar a partir de agora a criticar o terror de seus compatriotas e irmãos de fé. Onde estão as manifestações de árabes contra o fanatismo islâmico? Onde está o debate crítico nos meios de comunicação e redes sociais? São poucas as comunidades que promovem isso. A maioria é passiva e parece não ser contrária às condições existentes.

Na visão da AfD, existe espaço para o Islã na Alemanha? 

Sim. Na Alemanha impera a liberdade religiosa. Mas isso não pode ser uma justificativa para tudo ser possível. Nosso país é marcadamente cristão e assim deve permanecer.

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