REUTERS/Andres Stapff
REUTERS/Andres Stapff

‘A política dos colorados é de aproximação com o Brasil'

Para analista, Benítez manterá a atual política com relação ao País e aos brasiguaios

Entrevista com

Alfredo Boccia Paz, analista político

Fernanda Simas, Enviada especial a Assunção, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2018 | 05h00

A eleição do conservador Mario Abdo Benítez, que toma posse em agosto, deve dar continuidade à atual política paraguaia com relação ao Brasil e aos brasileiros que vivem no país vizinho. “Tradicionalmente, a política dos colorados é de aproximação com o Brasil”, explica o analista político Alfredo Boccia Paz. A seguir trechos da entrevista concedida ao Estado.

O programa de governo de Benítez é nacionalista?

Sim, conservador, certamente. Nacionalista é um termo muito amplo, mas com certeza será um governo de continuidade econômica. Não vejo possibilidade de mudança. O macroeconômico vai continuar funcionando bem e o social vai continuar igual.

A política externa seguirá a mesma linha da atual?

Provavelmente. Benítez estará obrigado a negociar com um Senado mais heterogêneo, mas tem mais habilidade e facilidade de conversar e convencer do que (Horacio) Cartes, que termina o governo com uma resistência interna muito grande. Benítez terá de negociar o tempo todo com o Parlamento, mas nada que já não conheçamos aqui. 

Como deve ficar a relação com o Brasil na questão de Itaipu?

Os colorados nunca negociaram nada importante em Itaipu. A agressividade com o Itamaraty no tema Itaipu sempre foi bem menor.

Qual deve ser a política de Benítez para os brasiguaios?

Não vejo motivo para conflito. Tradicionalmente, a política dos colorados é de aproximação com o Brasil. Historicamente, os liberais são mais próximos da Argentina e os colorados, do Brasil. O problema para os brasiguaios e produtores brasileiros seria a redistribuição das terras, mas uma reforma agrária não está cogitada no programa de Benítez.

Qual será a posição sobre a questão da Venezuela?

Deve ter uma atitude mais enérgica. Mas o peso diplomático do Paraguai é tão pequeno que não deve ser levado em conta.

É possível haver uma nova instabilidade que derrube o presidente?

Não. Muito difícil de acontecer. Estamos no paraíso da estabilidade. Os movimentos sociais são muito lentos aqui e Benítez é menos agressivo, é um homem de partido.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.