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A poucas horas do Nobel, mídia chinesa critica 'farsa' ocidental

Pequim tem criticado premiação de dissidente Liu Xiaobo e boicotará cerimônia

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10 de dezembro de 2010 | 07h37

PEQUIM - Horas antes da cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz, na Noruega, a mídia chinesa acusou nesta sexta-feira, 10, o Ocidente de tentar impor valores estrangeiros ao país e colocá-lo numa situação de risco. O prêmio será concedido este ano ao dissidente chinês Liu Xiaobo, que está preso.

 

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"Hoje em Oslo, na Noruega, será encenada uma farsa: 'O Julgamento da China'", escreveu em editorial o popular tabloide Global Times, que é dirigido pelo Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista.

No Natal do ano passado a China condenou Liu à prisão por 11 anos, acusando-o se subversão do poder do Estado, por ele ser o autor principal da Carta 08, um manifesto pedindo reformas democráticas no país, onde só existe um partido, o Comunista.

A segurança foi reforçada em Pequim, onde um número maior do que o normal de carros de policiais e viaturas está patrulhando a cidade, incluindo os arredores do apartamento de Liu, a Praça Tiananmen (da Paz Celestial) e a embaixada da Noruega.

A polícia dispersou um grupo de diplomatas alemães que tentou visitar a casa de Liu, onde estaria sua mulher, Liu Xa, ainda sob prisão domiciliar.

Liu Xia disse que o marido, um ex-professor de literatura, quer dedicar o Nobel àqueles que morreram na sangrenta repressão dos protestos pró-democracia realizados na Praça Tiananmen, em 1989.

O governo chinês ficou furioso com a decisão do Comitê do Nobel de premiar um homem que considera um criminoso e subversivo. A disputa com os responsáveis pela premiação se transferiu para o campo da diplomacia.

O comitê defendeu na quinta-feira a concessão do Nobel a Liu, dizendo que se baseou em "valores universais" e rejeitando a acusação do governo chinês de que esteja tentando impor ideias ocidentais ao país.

A China exerceu seu poder econômico para conseguir apoio a um boicote da cerimônia de entrega do Nobel.

A maioria dos 18 países que aderiram ao boicote tem laços comerciais fortes com Pequim ou compartilha a hostilidade de seu governo às pressões ocidentais pelos direitos humanos.

O governo chinês afirma que a "imensa maioria" das nações vai boicotar a cerimônia. O comitê norueguês do Nobel diz que dois terços dos convidados vão comparecer.

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