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A renúncia do comandante

Líder cubano publica mensagem no ?Granma? anunciando sua saída da presidência de Cuba, após 49 anos no poder

Havana, O Estadao de S.Paulo

20 de fevereiro de 2008 | 00h00

Fidel Castro, último líder comunista do Ocidente, renunciou ontem à presidência de Cuba. No poder há 49 anos - um recorde entre os estadistas vivos -, Fidel sobreviveu a dez presidentes americanos e a mais de 600 tentativas de assassinato, a maioria orquestrada pela CIA. Sete em cada dez cubanos vivos só conheceram um único presidente: El Comandante. Veja galeria de fotos, áudios, vídeos, entrevistas e cronologia no siteAos 81 anos, Fidel comunicou sua aposentadoria por meio de uma carta publicada pelo diário oficial Granma. No texto, ele fala dos problemas de saúde e aponta para a necessidade de o povo cubano acostumar-se com sua sucessão. "Preparar (os cubanos) para minha ausência, psicológica e politicamente, era minha principal obrigação depois de tantos anos de luta."Fidel escolheu a dedo o momento para se afastar. Em janeiro, os cubanos elegeram 614 novos integrantes do Parlamento, que deveriam ratificar o nome de Fidel ou escolher um novo líder em votação marcada para domingo - provavelmente o de seu irmão Raúl Castro, que há um ano e meio governa o país em caráter temporário. Para dar ares definitivos à interinidade de Raúl, ele optou pela renúncia. "Comunico que não aspirarei nem aceitarei o cargo de presidente do Conselho de Estado e de comandante-chefe", disse Fidel na carta.Centralizador até na hora da despedida, foi assim, por vontade própria, com dia e hora marcados, que o velho revolucionário saiu de cena. Não foi um adeus, como deixou claro o próprio Fidel em sua carta-renúncia. Foi-se o comandante, mas ficou o companheiro, que continuará comandando o país dos bastidores.Nas ruas de Havana, embora conscientes do momento histórico que representava a renúncia, os cubanos reagiram com uma discreta indiferença. "Isso não é notícia", disse Elizardo Sánchez, um dos líderes da dissidência e fundador da Comissão Cubana para Direitos Humanos e Reconciliação. "A renúncia já era esperada e não muda a situação dos direitos humanos nem o sistema de partido único. Não há razão para comemorar."O ceticismo de muitos cubanos reflete o fato de não haver surpresas na sucessão de Fidel, que está afastado da presidência desde 31 de julho de 2006, quando passou o poder para o irmão Raúl em razão de uma grave crise intestinal. Na época, a notícia foi recebida com muito mais surpresa pelos cubanos, que não sabiam o que seria da ilha sem Fidel e ainda tinham dúvidas sobre a capacidade de Raúl manter-se no poder. Aos poucos, no entanto, depois do afastamento e de algumas cirurgias, ficou claro que a Cuba pós-Fidel não seria necessariamente o fim do regime. Enquanto Raúl assumia seu espaço e acenava com reformas, Fidel se recuperava, recebia chefes de Estado e se dedicava a escrever artigos, muitos deles dando sinais de que a sucessão estava próxima. Em dois deles, escritos em dezembro, Fidel dizia que não estava mais "apegado ao poder", o que muitos analistas interpretaram como sendo um prenúncio da renúncia.NYT, REUTERS E AP

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