"A resistência de um povo ocupado é legítima", diz palestino

Com a voz já rouca de tantas entrevistas e contatos, e muito exaltado, o alto funcionário palestino Ahmed Soboh, assessor do ministro da Cooperação Internacional, Nabil Shaath, falou hoje ao Estado de sua casa, situada a cerca de 500 metros do complexo da Autoridade Palestina (AP) em Ramallah. Eram cerca de 17h em Brasília (22h na Cisjordânia) e no QG de Yasser Arafat prosseguia a troca de tiros entre soldados israelenses e as forças de segurança da AP. Os bombardeios, com tanques, restringiam-se ao complexo da AP, mas Soboh contou que a cidade está sob toque de recolher e em sua casa não há luz nem água. "Há dezenas de tanques na cidade e milhares de soldados israelenses. A situação é muito difícil. Na sua passagem, os blindados destróem encanamentos e a infra-estrutura", queixou-se. Como vários líderes do mundo árabe, ele relacionou a operação à uma tentativa de minar a oferta de paz saudita, e não à justificativa do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, de que Arafat nada fez para conter os atentados. "Nunca na história um povo ocupado teve de oferecer segurança aos ocupantes. A resistência dos ocupados é sempre legítima", disse. Indagado sobre as alegações de Israel de que Arafat não quis cumprir sua parte num cessar-fogo, Soboh exalta-se: "Anthony Zinni (o mediador americano) não propôs o mesmo Plano Tenet com o qual Israel e a AP concordaram em junho e que previa medidas recíprocas. Ele quis fazer mudanças, porque os EUA adotam só o lado de Israel. Queriam que Arafat agisse primeiro para depois os israelenses retirarem suas tropas. A verdade é que Sharon fracassou na sua meta de oferecer segurança a seu povo e quer que Arafat faça isso. Ele quer vencer militarmente primeiro para depois negociar." Soboh afirma que Arafat não tem como conter os radicais que realizam atentados estando confinado em Ramallah e com os serviços de segurança, edifícios públicos, prisões e demais obras de infra-estrutura da AP destruídos pelos bombardeios israelenses.

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