A resistência inesperada do Al-Shabab

O movimento político armado conhecido como Al-Shabab está por um fio na Somália, perdendo território e influência no país de origem. Mas, neste fim de semana, mostrou que é tão perigoso quanto uma força terrorista, mantendo soldados quenianos a distância durante dois dias, no shopping Westgate, em Nairóbi.

ANÁLISE: Greg Miller, O Estado de S.Paulo / The Washington Post

25 Setembro 2013 | 02h08

Funcionários antiterrorismo dizem que a sofisticação do Al-Shabab só tem aumentado, uma vez que o grupo tem interesses em comum com a Al-Qaeda - no Iêmen e no norte da África - e com a organização Boko Haram, na Nigéria, compartilhando táticas, formação e recursos financeiros.

É evidente que o grupo está usando esses recursos para punir o Quênia em seu próprio solo, tanto pelo papel do país dentro da Somália quanto pelo crescente apoio americano às forças de segurança quenianas. O Quênia tem trabalhado em uma cooperação militar com americanos no combate à Al-Qaeda e à pirataria.

Autoridades americanas disseram que estão trabalhando com as quenianas para aprender mais sobre os terroristas de Nairóbi e como eles fizeram o ataque. Um foco era saber se os militantes eram do Quênia ou enviados da Somália, o outro era se algum tinham laços nos EUA, como eles mesmos afirmaram no domingo.

O shopping Westgate foi um dos três grandes shoppings da capital queniana sobre os quais os funcionários da Embaixada americana haviam expressado preocupações sobre a falta de segurança às autoridades do Quênia.

"Shabab" significa juventude em árabe. O grupo foi formado em meados da década passada como uma pequena milícia da União das Cortes Islâmicas da Somália, que havia subido ao poder depois de dirigir um grupo de militares de Mogadíscio financiados pela CIA.

Os combatentes do grupo empreenderam uma campanha sangrenta contra os etíopes, realizando ataques de "bater e correr" e plantando bombas à beira de estradas. Em poucos anos, o grupo consolidou seu controle sobre uma grande faixa de território somali, mas, em seguida, sofreu revezes contra a União Africana e o Quênia.

Embora os EUA venham enfatizando que a África é um campo de batalha na luta contra o terrorismo, desde 2009 o grupo expandiu enormemente sua influência e ganhou adesão entre os quenianos que não têm origem somali. Sua estrutura é estimada pela ONU em cerca de 5 mil combatentes.

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