Mariana Bazo / Reuters
Mariana Bazo / Reuters

À revelia, Itália condena 24 sul-americanos envolvidos na Operação Condor à prisão perpétua

Grupo de soldados e policiais foi processado pelo desaparecimento e morte de 23 opositores de origem italiana no âmbito da ação militar acertada entre as ditaduras sul-americanas nos anos 1970 e 1980 para sequestrar e executar dissidentes

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2019 | 15h27

ROMA - À revelia, a Justiça italiana condenou nesta segunda-feira, 8, à prisão perpétua 24 sul-americanos processados pelo desaparecimento e morte de 23 opositores de origem italiana no âmbito da chamada Operação Condor, informaram fontes judiciais. 

Os juízes do Tribunal de Apelação em Roma consideraram um grupo de soldados e policiais da Bolívia, Chile, Peru e Uruguai responsável pela operação militar acertada entre as ditaduras sul-americanas nos anos 1970 e 1980 para sequestrar e executar dissidentes.

O Tribunal mudou a sentença de primeira instância de janeiro de 2017 que estabeleceu 8 penas de prisão perpétua e absolveu 19 acusados pela prescrição dos crimes.

Entre os condenados, está o ex-militar uruguaio Jorge Néstor Troccoli, o único que se apresentou no Tribunal já que vive em liberdade na Itália desde que escapou da Justiça do seu país em 2007 e que tinha sido absolvido em primeira instância.

A promotoria italiana havia solicitado prisão perpétua para todos os acusados. Na primeira instância foram condenados à perpétua oito pessoas, todas à revelia, sem terem se apresentado em Roma, como o ditador boliviano Luis García Meza, morto em abril de 2018, e seu ministro do Interior, Luis Arce Gómez.

Também estavam entre os condenados o ex-presidente peruano Francisco Morales Bermúdez, seu primeiro-ministro Pedro Richter Prada, morto em julho de 2017, o ex-militar peruano Germán Ruiz, os chilenos Hernán Ramírez e Rafael Ahumada Valderrama, e o ex-chanceler uruguaio Juan Carlos Blanco.

Agora, a estes condenados se somam 5 ex-militares chilenos e 11 ex-militares uruguaios, todos condenados pelos crimes de homicídio voluntário que deverão também pagar os custos do julgamento.

Este processo começou há 20 anos, com a denúncia na Itália de alguns parentes de desaparecidos em 1999, um ano depois que se ordenou a detenção do ditador chileno Augusto Pinochet após a investigação do juiz espanhol Baltasar Garzón. / AFP e EFE

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