'A revolução é do povo', diz militante chavista

Para líder comunitário da favela 23 de Enero, uma das mais pobres de Caracas, saúde de Chávez não impede consolidação do socialismo na Venezuela

LUIZ RAATZ, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2012 | 03h05

Juan Contreras queria ser jogador de futebol. Diz ter sido um bom meio-campista. As circunstâncias, no entanto, levaram-no à militância política e à luta armada. Ele é um dos principais líderes comunitários da favela 23 de Enero, em Caracas, um dos principais redutos eleitorais do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Para ele, o futuro da revolução bolivariana não depende apenas de seu líder.

"Chávez pode morrer amanhã, depois de amanhã, não importa", disse Contreras ao Estado. "A presidência é do povo, a revolução é nossa." De acordo com ele, o estado de saúde do presidente não vai impedir a consolidação da construção do socialismo na Venezuela.

Para ele, a oposição conservadora e a imprensa venezuelana torcem contra a saúde do presidente. "Mataram Fidel (Castro) várias vezes, mas ele viverá até os 120 anos", afirmou. "Com Chávez, vai ser a mesma coisa na Venezuela."

Ditadura. Contreras, de 50 anos, começou cedo na militância política. Ele se orgulha do histórico de resistência do bairro, que remonta à ditadura de Marcos Pérez Jiménez, nos anos 50. A favela, que começou como um conjunto habitacional construído pelo presidente, foi rebatizada de 23 de Enero após seus moradores terem apoiado o golpe contra ele nessa data.

Ainda adolescente, o líder comunitário tomou contato com ideias esquerdistas. Na juventude, chegou a pegar em armas contra a repressão policial. "Eu usava um cabelo afro e a polícia sempre me parava por causa disso", conta.

Com a chegada de Chávez ao poder, em 1999, Contreras diz que a vida no bairro melhorou. "Antes de Chávez, não podíamos andar com camiseta do Che Guevara na rua", lembra. "Agora, temos acesso a luz, água e outros serviços, como escola, médicos e internet."

Futebol. Sua sala, na rádio comunitária Simón Bolívar, que alcança toda a capital venezuelana, tem um computador e uma escrivaninha cheia de papéis. As paredes são decoradas com quadros com imagens que remetem à libertação da Palestina, ao movimento separatista basco ETA e a organizações de esquerda latino-americanas. Seu discurso é bem articulado e sério. Contreras só relaxa mesmo na hora de falar sobre futebol. "Sou fã de Kaká e Ronaldinho", diz.

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