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'A revolução não construiu um caminho em direção à democratização'

Alberto Goldman era deputado federal quando esteve na primeira delegação que visitou Cuba em 1980

Marcelo Godoy, O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2016 | 10h10

Era o começo dos anos 1980. Chegava a Cuba a primeira delegação de parlamentares brasileiros com o objetivo de furar o bloqueio a que havia sido submetido a Ilha desde os anos 1960. Entre eles estava um jovem deputado federal do MDB, Alberto Goldman, mais tarde governador de São Paulo pelo PSDB. "Não época não se podia ir diretamente para Cuba. O passaporte brasileiro trazia uma inscrição: esse documento não é válido para Cuba e os países socialistas." Goldman, na época militante do então ilegal Partido Comunista Brasileiro (PCB), conta que o grupo de parlamentares embarcou para Lima, no Peru, e de lá para Cuba. Entre os que acompanhavam Goldman, estavam o jornalista Audálio Dantas e o escritor Fernando Morais.

"Na época da deposição de Batista (Fulgêncio Batista, ditador derrubado pela revolução liderada por Fidel Castro), Cuba era o bordel dos Estados Unidos. Quando chegamos em Cuba, vimos que os resultados sociais eram evidentes na Ilha, principalmente na Educação e na Saúde. Houve um salto enorme. Os grande erros foram a tentativa de transmitir o modelo cubano para outros países da América Latina  e o fato de a revolução não ter construído um processo que fizesse a revolução evoluir em direção à democracia."

Goldman voltou antes dos colegas, deixando Cuba em direção ao México. Não se encontrou com Fidel Castro. "Ele foi um grande líder para seu povo, ele comandou esse processo de transformação da Ilha." De volta ao Brasil, o futuro governador de São Paulo se lembraria de duas passagens de sua estadia na ilha: o passeio com um ministro cubano e sua filha pelas ruas de Havana sem a presença de seguranças.

"Ele andava e conversava com a filha sem nenhuma preocupação. Era completamente seguro. Algo completamente diferente daqui." E a conversa sobre a dependência da Ilha das compras de açúcar feitas pela União Soviética. "Os soviéticos pagavam um preço bem acima do mercado pelo açúcar. Para os cubanos,  era o preço que a mercadoria valia" O desmoronamento da União Soviética nos anos 1990 mostraria aos habitantes da Ilha que nunca mais o produto cubano encontraria um mercado tão generoso como o soviético.

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